Voltemos ao ponto de partida
Estivemos lado a lado e não nos sentimos. Olhámo-nos nos olhos, mas não nos vimos. Sorríamos, mas não o entendíamos. Tocámo-nos , mas não nos desejámos.
Soltaram-se palavras e não as decifrámos. Demos as mãos, mas não as apertámos.
Sentimo-nos sozinhos, mas nunca o falámos. No entanto, uma má atitude… nunca a perdoávamos.
Quis ter momentos a sós, mas não o disse, para não te aborrecer. Tive saudades tuas e nunca as contei ter.
Rodaste, vezes sem conta, a aliança e desesperaste. Beijávamo-nos e acreditaste-te. Num ciclo que parecia não ter fim, não fazia sentido para ti, muito menos para mim.
Já temos uma vaga ideia de onde falhámos. Fraquejámos no mesmo pensamento: “Quem vai ceder?”
Se soubesse o que sei hoje, voltava atrás e tentava emendar.
Estás comigo desde há muito e ainda temos muito amor para dar. Falei num passado e, agora, falo num presente. Ainda estou aqui a teu lado. Dás-me um abraço apertado, novamente? Quero-te comigo e não te quero falhar. Mas quero que vejas mais em mim, para além desta fada do lar.
És homem e eu sou uma mulher. Nunca contei que a rotina nos dominasse, mas estamos aqui, para o que der e vier.
És o meu Romeu e eu a tua Julieta. Só de imaginar a tua partida, faz-me sentir muito inquieta.
Vamos recuar no tempo. Voltemos ao ponto de partida.
Volta a beijar-me e deseja-me, até ao fim da nossa vida.

Foto de: Burst