Retratos da saudade
É neste banco de madeira que aguardo por ti até o sol deixar de brilhar.
Aguardo que as tuas mãos me vendem os olhos e me sussurres que chegaste.
Vejo o teu corpo recortado a cada sombra. Suspiro incontrolávelmente por não te ver.
Sinto o teu perfume a cada brisa que se faz sentir. Sinto-me a enlouquecer.
Olho para o horizonte, perco-me nas memórias e sonhos.
As nuvens desenham os retratos da saudade. Imagino-te em cada forma moldada pelo vento.
Estou sufocado nesta dor de te querer e não te poder ter. Volto no tempo e revivo tudo novamente nestas recordações já ténues mas marcantes.
Ouço-te gritar que me amas neste silêncio que se faz sentir.
Acolhe-me num abraço teu e acaba com este vazio.
Há sentimentos que não cabem no peito e sem palavras para os definir. Vivem-se. Vivo-os.
Foi neste banco de madeira já gasto de histórias que vivemos um amor sem igual.
Quis o destino que ficássemos separados neste mundo tão pequeno mas distante.
Uma magia substituída por palavras escritas borradas de lágrimas e saudade.
Neste banco perdi-te de mim mas ficou parte de ti.
Volta.

Foto de: Tobi