Quando fecho os olhos
Fecho os olhos.
Sem esperar sou transportado(a) no tempo. Confesso que não estava a contar.
Tento não pensar em ti, decidi isso numa conversa comigo há algum tempo.
Fechei os olhos e dançamos, o teu olhar penetrava no meu. Sorriamos como doidos.
Os nossos corpos estavam suados, ninguém entendia, só nós. O toque, não nos queríamos parar de tocar, a ânsia de nos termos era enorme. Estávamos presos num espaço físico mas a nossa alma dançava em volta do universo.
Eras só tu e o nosso amor, não existia mais ninguém. Desejávamos sair daquele local público para podermos dar asas ao nosso sentimento. Fechei os olhos e ouvi um «Amo-te» no meu ouvido, ainda o ouço toda a vez que faz silêncio.
Nunca pensamos que aquele amor, que aquela noite iria ter fim.
Mas teve.
A noite era desenhada para nós e nos éramos desenhados um para o outro.
Hoje tentámos ser um passado, a custo tentámos apagar memórias que em outrora nos fez sentir felizes e amados. São essas as memórias que não nos fazem acreditar que somos capazes de as viver novamente.
Não és tu, não sou eu.
Ninguém ocupará o nosso lugar, aquele amor.
Fecho os olhos e sinto-te, anseio-te como naquela noite, como se te visse pela primeira vez.
E tal como naquela noite em que dançamos sem querer o fim, sem o conseguir imaginar.
Segredo-te ao ouvido:
«Amo-te».
Espero que o ouças.
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