O meu horizonte
Inconscientemente parei o carro onde tudo terminou.
Acendo um cigarro.
Novamente e, de uma forma inconsciente, faço novamente uma viagem pelo tempo. Emociono-me.
Foram largos os dias desde a tua partida, desde que fechaste aquela porta. Naquele dia desligaste-te de mim e eu desliguei-me do mundo.
O silêncio tomou conta de mim, sofria.
Tive direito à minha dor, à minha revolta, à raiva de nada poder ter feito por nós. Não conseguia.
Onde tudo terminou contemplo o horizonte, o meu olhar contempla esta linha ténue que divide o céu da terra. Tal como a minha linha que separa a minha realidade dos meus sonhos.
Foi foi neste local que deixamos de ser um "nós" para passar a ser um "eu". Foi aqui que fiquei sem chão e caí num abismo. A luz desapareceu, respirar tornou-se difícil. Inconscientemente escolho este local para celebrar.
Celebro o sorriso que tenho estampado no meu rosto que me tentaste roubar. O sorriso de esperança e de muita luta. Acreditei e como acreditei consegui. Continuo a sentir as mãos invisíveis nas minhas costas, não me deixam recuar. Ouço palavras de esperança.
Tal tal como te carrego a ti, carrego essas mãos e essas palavras no meu peito.
Neste local, um dia, pensei que fosse o meu fim. Não. Foi o início.
Cada vez que contemplares o horizonte vais-me conseguir observar.
Ao longe estou a pintar os meus sonhos no céu dançando ao sabor do vento.
Sem ti, ao pé de mim.

Foto de: pixabay