O meu arco-íris
A chuva não para de cair no telhado. É um som agradável e relaxante.
Desperta a nostalgia e a saudade.
Sempre foi tudo tão delineado, desde sempre dissemos que não poderia existir sentimento.
Estávamos em posições semelhantes. Medo do apego com traumas dos passados.
Mostramos o melhor que havia em nós escondendo as incertezas. Tentámos ser frios mas cedíamos a dar um pouco de amor. Por mais estranho que fosse.
As carências eram evidentes, sentíamos que recuperávamos algo perdido. A atenção.
Não nos erámos indiferentes.
Não deveria de ser assim, não deveria de acontecer, aconteceu.
Deixámo-nos pela fantasia de uma pseudo paixão. Não sabíamos se era real. Deixámos fluir.
Talvez essa fantasia tivesse passado para uma realidade da qual não nos demos conta. O medo de ter que voltar ao início onde a tristeza começara era mais forte.
Quando a nossa vida se cruzou estava tal como o tempo hoje. Escuro e triste.
Foste o raio de sol que entrou dentro de mim. Provocaste um arco-íris e juntos acabámos por pintá-lo.
Esta nostalgia e a saudade da tua ausência fizeram-me acreditar que existem tesouros no final do arco-íris.
O tesouro eras tu.
Não quis enriquecer.
Pudéssemos ter tido mais coragem.

Foto de: Bob Clark