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Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

O amor encontrou-me

Sufoca-me esta ansiedade de te poder tocar novamente. Nunca pensei que fosse tão difícil viver sem ti.

Mas chegou o dia, o dia que vou poder cair nos teus braços.

Sento-me e aguardo o comboio. Sinto-me inquieto. As minhas pernas não param de baloiçar.

Transpiro. Que calor horrível.

Abro a mochila e retiro a água. Estou a desidratar.
Vejo o livro mas sinto que não tenho a concentração necessária para o ler. Abro uma página ao acaso.

<<Não te massacres na procura, o amor encontra-te.>>

A frase salientou-se no meio do texto.

Passei o dedo e senti o papel. Sorri.

Talvez fosse um sinal.

O amor tinha-me encontrado.

Rio-me sozinho. Olho em meu redor para ver se ninguém repara.

Todos os dia lá íamos e nunca nos tínhamos encontrado. Durante anos.

Sou levado no tempo e levo novamente com as folhas da tua tese na cara.
Só queria o sossego pós um dia longo de trabalho. Mas aquele dia foi diferente.

Coloco como de costume a música nos meus ouvidos e fico na minha bolha. Reparo que estavas no banco ao lado.

Eras bonita e parva. Sorrias sozinha para um telemóvel.

Tentei não valorizar. No final de contas, quem não se ri?

Olho as pessoas em meu redor. Gosto de ver a felicidade de quem passeia os filhos no parque. Gosto de ver os guerreiros que lutam por um físico perfeito. Tenho inveja deles. Gostava de ter aquela força de vontade.

Senti que não lutava por mim. Só queria o meu silêncio e o meu livro.

Só assim conseguia encontrar o refúgio para a tristeza de uma amor perdido.

Não levou muito tempo para acontecer o inesperado. Ou seria dado à desorganização que tinhas espalhada naquele banco.

Um brisa sopra vinda do nada e vens ao meu encontro.

Pedes-me desculpa de uma jeito envergonhado.

Tento manter um ar sério mas simpático. Tenho as tuas folhas na mão e os teus olhos a olhar nos meus.

Fiquei sem ar.

Desvio o olhar para as folhas. E reparo que estudas psicologia.

- Psicologia?

Respondes rapidamente. Sim, é.

- Sou vidente. É quase igual.

O olhar muda de uma forma repentina.

-  Tenho prótese dentária, estou sobe disfarce .

Não sei o que me levou a dizer um piada tão fraca. Talvez fosse do nervosismo de a ter tão perto.

A gargalhada espontânea percorreu o parque. Ouvi música. Vi as notas musicais a saltar de  árvore em árvore.

- Também procuras a tua cura?

Raios! Ela tinha percebido que era um desequilibrado.

- Tem dias. Mas já me cansei.

A conversa flui sem dar conta do tempo passar. Era noite e tu sem olhares para aqueles apontamentos. Sentia-me culpado mas querer conhecer-te era mais forte do que eu.

Aquele dia passou a dias. Sem dar conta estava a viver novamente o amor. Não estava em mim.

Os dias passaram a anos e um dia tiveste que regressar. Fomos separados por muitos quilómetros. Parecem nem existir. Os nossos corações estão ligados. Não me tocas mas sinto-te.

É isso que me faz lutar todos os dias. O teu amor.

Chegou o comboio e o meu coração está a saltar da minha boca.

Assim que tocares com um pé naquele chão sei que nunca mais irás regressar.  

Serás minha, todos os dias.  

O amor encontrou-me e eu espero-o com um flor.

 

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 Foto de: George Becker