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Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Fragmentos de ti

(Em parceria com: Sofia Martins)

 

O céu rendeu-se à tua chegada no adeus final.
Agora és a luz e o silêncio. A dor rasgada em saudade.
Sei que te despedias em todos os olhares que me rompiam a alma. Pedias-me que me erguesse com a força que não tiveste. Que escrevesse na eternidade o jardim onde já não estavas.
Nas memórias ficaram histórias de papel. Suspiros ancorados em nuvens de emoções. Chuvas que pintavam arco-íris. Legendas em sonhos que vestiram de real o impossível.
Não voltarei a procurar-te em outros corpos. Não estarás mais no teu sorriso para sossegar o meu desassossego. Não haverão mais distâncias encurtadas na proximidade da tua pele.
Agora és a música nas asas em que voo para te abraçar. O livro imortalizado onde foste a verdade e o mapa para me elevar até à eternidade.
Não há mais limites, nem lugares. Há apenas o que deixaste: a tua luz dentro de mim. 
E ainda te vejo, és tu que inspiras o sol que acorda os meus dias. És a força que me ergue. És a mais bela história que vivi.
Olha por mim… Até um dia!

 

Nunca houve um dia que não te dissesse que te amava só com o meu olhar. Nunca consegui deixar de o dizer.

Esse olhar que implorava que me tirasses do sofrimento que me abraçava de uma forma tão intensa que me fazia doer todo o meu corpo.

Gritei, senti os meus pulmões apertados contras as minhas costelas, ninguém me conseguia ouvir. Tentei falar, ninguém me entendeu.

Todas as minhas histórias de homem feliz foram-me sugadas e atiradas para bem longe, não as conseguia ver. Tudo era mau em mim.

Ficou tudo muito pesado e escuro. Desesperava.

No meu silêncio o teu olhar dava-me a réstia de esperança, que ainda existia. Desejei vê-lo todos os dias de uma forma constante. Não era feliz sem ele.

Arrastei-me.

As horas passaram a dias, os dias passaram a meses sem que nada nem ninguém pudesse mudar o meu passado. Sofria.

Não consegui mais. Desisti.

Num ato de desespero para encontrar o meu caminho em busca de felicidade. Comigo levo o amor que me entregaste de corpo e alma.

Comigo levo para sempre esse teu olhar brilhante que me iluminava.

Comigo levo o teu amor, as nossas histórias, comigo levo tua imagem na minha memória onde esta ultima lágrima que me cai é tua.

Perdoa-me. Não te podia arrastar comigo.

Espero por ti já velhinha no sítio onde nos beijamos a primeira vez. Iremos a tempo de sermos felizes.

Vive-te.

Estarei sempre ao teu lado.

Sente-me.

Amarte-ei para sempre.

 

 

Em memória de J.

 

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