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Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Estou aqui para te recordar

Pergunto-te como está o teu coração na minha ausência.

Respondes que não o vês e não o consegues sentir.

Abraças-me e sentes o pulsar do meu. Arrepio-te e não sabes bem porquê.

Explico-te carinhosamente que, por mais que não o sintas, ele ainda tem uma poção que o faz trabalhar:

o amor.

Não o conseguimos ver. Por vezes, não o sentimos, mas é esse amor que nos mantém vivos e esperançosos.

As minhas palavras entram na tua mente cansada, mas, mesmo assim, não desvias o teu olhar do meu e escutas-me com atenção.

Levo-te para trás no tempo e regressas à tua mocidade onde conseguias sentir a felicidade.

- As tuas palavras tocam-me no coração, mesmo não o sentindo.

Respondo:

- Não são as palavras. É o sentimento, o respeito e o amor que sinto por ti. Não só de agora, mas pelo que foi ao longo da tua vida.

Falas-me do medo que desconheces. Não sabes de onde vem.

É o medo da solidão que percorre as tuas veias, ainda que não sabendo o formato dele.

Vives sozinha com parte do teu passado. A doença de Alzheimer tem as suas consequências.

Aperto a tua mão e digo-te ao ouvido:

- Estou contigo.

Sorris de um jeito confortável e acreditado. Sinto-te segura.

Absorvo a tua angústia porque também tenho medo de me sentir sozinho.

Reconforto-te e tu deixas que o faça. O teu olhar continua a penetrar na minha alma e, com ele, tentas que eu consiga ouvir as tuas histórias.  Sei que são muitas, todas elas marcadas em cada ruga da tua pele.

Tentas perceber novamente quem eu sou, mas não te impede de me dares a tua mão quente e acreditar nas centenas de palavras que saem da minha boca.

Escrevo no coração, que dizes não sentir, o que parece reconfortar-te.

Não temos o mesmo sangue, não temos as mesmas histórias. Porém, partilhamos os dois a única coisa que nos faz ser mais. O Amor e a compaixão.

Quando me despedir de ti, sei que tudo o que te escrevi irá ser apagado e, quando te voltar a ver,  não irás reconhecer-me.  No entanto, irei sentar-me ao teu lado e serei sempre aquilo que tu queres que eu seja.

Não há limite no amor e eu só o quero que o sintas a cada presença minha. Amas-me mesmo sem saber quem sou e eu estou aqui para te recordar e ensinar a amar.

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Foto de: Fancycrave.com

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