És tu que ainda me fazes sonhar
Os minutos já se transformaram em horas. Continuo a rodopiar nesta cama vazia.
Insistes em ficar a vaguear na minha alma e levar o meu pensamento a uma quantidade de desfechos possíveis. Decisões bem ou mal tomadas. Tomado por dilemas.
A saudade esmaga-me o peito e nasce uma arritmia.
Deparo comigo em monólogos madrugadores. Abafo-os na almofada.
<<E se...>>
Esses “ses” que me levam à loucura e não me deixam dormir.
Nunca estamos preparados para uma partida, mesmo que a queiramos muito só para sossegar a mente.
Existe sempre o contrassenso do sentimento mágico criado e uma realidade oposta ao bom senso.
Continuo a revirar-me nesta cama que se tornou enorme com a tua partida.
Fico indeciso se ainda te amo, ou se só estou a adiar o meu desapego.
Queria-te aqui abraçada, ao pé de mim, sentindo o teu suspirar no meu pescoço, enquanto te enroscavas em mim com frio.
Não passam de fantasias. A fantasia onde não tinha medo de amar em cenários montados de uma forma sublime.
Caminhávamos todas as noites na lua e o brilho do nosso amor ainda a fazia brilhar mais.
É lá que vou sentar-me todas as noites à tua espera, enquanto choro com as estrelas.
Não queria amar-te tanto o quanto te amo. Não queria deixar que partisses do meu coração.
Reviro na cama uma ultima vez e tento desligar-me de ti.
Ainda é contigo que adormeço, quando adormeço....
És tu que ainda me fazes sonhar.

Foto de: