Coração "bipolar"
“Dá-me a mão e um dia olharemos para trás e vamos sorrir pós tudo isto que nos avassala.”
Era lutadora, resiliente, encantadora, misteriosa.
A vida tinha-a moldado assim, não escolheu.
A responsabilidade que recaía sobre si era enorme. Nada é mais frustrante do que perceber que amanhã tudo não passaria de mais uma história, de um romance fracassado.
Acreditou, porque era feita de esperança.
Despiu-se de todas as capas, de todos os filtros, de todos os medos para poder viver o que a completava. Dançava sobre um manto de estrelas cantando com um sorriso mais brilhante do que a lua.
O amor. Vivia-o.
Ele observava-a incapaz. Não se sentia suficiente.
Sempre sonhou com aquele momento, tinha medo de acordar.
Os dias passavam lentamente, o progresso parecia não existir. A tristeza tomava conta daquele peito que transbordava sentimento. Aos poucos o ego ficara desfeito em mil pedaços.
Não conseguia amar pelos dois.
Quase sem forças deu-lhe a mão e puxou-o até ao limite das suas forças fez o que estava seu alcance para o proteger de tudo o que o atormentava.
Num olhar de desilusão as palavras saíram do coração.
- A partir daqui caminhas sozinho. Amo-te mas não consigo gostar mais de ti.
Sentia-se justa com ele, por ela. Porque ela, ela era dona de si.
Queria ter o direito à felicidade. Queria ser amada como merecia. Tinha o direito a viver o amor sem medo. Aceitou.
Naquele momento percebeu que a tinha perdido. Percebeu que nunca lhe conseguiria dar a tão esperada felicidade.
Perdeu-se no mundo complexo, perdeu-se no turbilhão de sentimentos. Perdeu-se dentro dele.
Impávido e sereno viu-a partir. E sem voz implorou que voltasse.
Talvez uma simples atitude bastasse, para que tudo fosse diferente.
Ficaram as partilharas de sorrisos, das lágrimas, esperanças e fracassos. Ficaram os sonhos desenhados nas nuvens que se dissiparam, as promessas escritas na areia que o mar apagou, um ponto final numa história que terminou.
Na desilusão, ganharam forças para sorrir quando a vontade era chorar.
Naquele fim, foi um novo inicio.
Naquele fim ficou a gratidão por se terem cruzado.
Onde fores feliz, seremos. Nesse coração "bipolar".

Foto de: Victor Freitas