Continuarei...
Numa velocidade vertiginosa e inconstante, estou em busca da felicidade, da tranquilidade e do muito esperado, o amor.
Descarrilei, na linha da vida sem perceber o motivo. O controlo era quase absoluto. Porém, o caos instalou-se.
Olho em meu redor e vejo vagões carregados de mágoas misturados com a esperanças e a coragem.
Procuro naquele carril a desculpa para o sucedido. Não a encontro porque não existe. Custa-me a acreditar que foi o excesso de confiança em mim e no que transportava comigo. Talvez não tivesse noção do peso do que transportava.
Vejo tudo espalhado em meu redor. Salientam-se as futilidades. Até isso levava comigo.
Questiono-me o porquê, se não fazem sentido. Onde se enquadravam na minha missão?
Por que razão carreguei aquelas mágoas, se nada mais podia fazer para as emendar?
Sento-me e observo aqueles sonhos desfeitos em mil pedaços. Eu acreditava neles, sempre achei concretizáveis. Talvez fosse a velocidade que a vida me impunha que me fez perder a noção do perigo...
Ainda há dois segundos tinha a adrenalina a percorrer o corpo e, subitamente, choro por sentir que não fiz as coisas mais corretas.
Levanto-me e recolho o que realmente irei precisar para esta longa viagem que ainda me falta percorrer. Apanho os pedacinhos de sonhos, o que resta da esperança e coloco sobre os ombros a coragem.
Olho para trás com o ego ferido. Mas continuarei a pé.
Não é preciso muito para ser feliz.

Foto de: Tom Swinnen