A tua mão mudou tudo
Talvez não fosses o amor da minha vida, talvez fosses só uma passagem para me ensinar, para me marcar, para me acordar.
Tentaste-me ajudar, eu, "egoísta" nunca aceitei.
Eram os meus traumas, não estavas incluída(o) neles. Os dias eram dolorosos, passava isso para ti sem o conseguir evitar.
Até que...
Até que não conseguiste aguentar mais e partiste, fiquei a ver-te partir.
Onde falhei mais uma vez?
Nos meus refúgios, no meu silêncio, na minha dor. Tinha pena de mim, tinha pena do que sofrera em passados, castigava-me. A mão que me quiseste dar e não aceitei, imaginei-a.
Por mim, por ti procurei ajuda.
Os dias tornaram-se lentos, confusos.
Tive a noção da realidade que nunca antes tivera. Fui enfrentando sem medo um a um, procurando respostas. Enfrentar a realidade, o que era, de onde vim.
Sozinho(a) caí. Sozinho(a) consegui-me erguer.
Por vezes não há respostas para as perguntas, por vezes temos que aceitar os passados e deixa-los sossegados.
Se tu não partisses eu nunca saberia, nunca os enfrentaria, nunca me recuperava, nunca me encontraria.
Na nossa passagem só fica uma coisa por dizer:
Obrigado pela mão que nunca aceitei, mas imaginei-a.

Foto de: Joanna Malinowska