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Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Amar não é tudo!

Mutuamente, chegámos a um amor estranho que pensámos não ter fim. Foram largos os anos em que nos tentámos adaptar de uma forma contínua um ao outro.

Houve dias em que nos apeteceu desistir, por temperamentos diferentes, por falta de reconhecimento, por fadiga. Apetecia-nos desistir só para voltar ao início, onde tudo era perfeito.

De corpo e alma, entregávamos tudo o que tínhamos para dar. Moldámo-nos um ao outro. Tudo parecia mais fácil ao teu lado.

Reconheceste o meu esforço e deste-te asas para a liberdade. Beijavas-me a alma e soltavas a criatividade que estava presa na angústia, em mim.

Sempre tentei agradar-te de todas as formas possíveis. Nem sempre consegui.

Deixei grande parte da minha vida apostando na nossa. Apostando no sonho.

As peças começaram a cair uma a uma, como em dominó. Não conseguia fintá-las.

Não soube como reagir e voltar a reeguer-me por ti. Ou seria por mim?

Sempre me apoiei em ti e sabia que não o podia ter feito. Como conseguiria, agora, pensar em mim sem ti?

A cada peça que ia caindo do nosso estranho amor, mais desorientado ficava. A sensação de fracasso dominava-me. Esperavas uma resposta certa, para um  momento certo. Deixei de conseguir ter voz. Intimidava-me demais por te ver partir sem conseguir que pensasses em mim, em nós, no nosso passado. Deixei de acreditar no nosso futuro.

Deixaste de me dar amor e eu deixei de escrever poesia.

Fomos adiando, até que um dia... Um dia, reconhecemos que a nossa história tinha chegado ao fim.

E, numa exclamação final, aceitámos que:

Amar não é tudo!

 

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O sol confidencia à lua

As nossas sombras desenham-se na areia debaixo deste sol que nos acompanha. Para trás ficam as pegadas levadas pelo mar. São passados que nos levam sem pedir permissão e nunca mais nos iremos lembrar deles. Podiam  ser todos assim nesta vida.

A água fria atravessa os nossos pés,  causando ligeiros arrepios.

Paramos a contemplar o céu, as nuvens, o sol, o mar. Tudo o que nos envolve tem uma imensidão gigantesca. Apercebermo-nos que somos pequenos e que  os problemas que nos afetam, naquele local, não valem de nada. Talvez seja essa a intenção da natureza e do belo espetáculo que nos proporciona.

Fechamos os olhos e vamos de mão dadas para o infinito. Voamos sob este mundo.

E naquela distância conseguimos ver-nos bem ao longe e num estado que nos envolve naquele areal:o nosso amor.

Conseguimos ver-nos abraçados de olhos fechados. Há uma luz connosco.

A Terra transmite-nos uma energia tão pura, que não conseguimos parar. Voltamos  a subir até às nuvens e fazemos desenhos parvos. Tornam-se gargalhadas, ouvem-se ao longe. Terminam com os toques de afeto.

Nada parece importar. Os cabelos despenteados, a areia no corpo, ar desajeitado. Além de toda a beleza que nos envolve, tudo ficou insignificante para nós. Sou só eu e tu e a natureza a testemunhar.

O sol confidencia à lua o nosso amor e vai aposentar-se. As nossas sombras desaparecem, dando lugar a um céu brilhante.

Surge o momento de partir e vamos até onde o amor nos deixar, saltitando nas estrelas.

 

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Foto de: Pixabay

Recomeçarei novamente

Rendi-me à minha chegada de alma nostálgica. Anos antes, tinha feito a promessa que seria daqui que iria partir para uma vida melhor.
Coração fechado, punhos apertados e uma vontade incontrolável de chorar. Mantive-me firme. Olhei o céu cinzento e aguardei uma pequena gota, só para poder ter um argumento válido para o caso de deixar escapar este sufoco.
Quantas oportunidades mais terei para me incutirem coragem?
Só queria entrar num barco, seguir o meu destino em busca da felicidade e, no final, deixar ancorado o medo que não me deixa avançar. Sair de pé firme e sentir-me grato pela terra que piso e pelo ar que respiro.
Agradecer por mim, por quem me acompanhou e por quem me poderá vir a acompanhar.
Rendi-me à chegada, porque talvez assim o destino o quisesse. Redesenhar tudo o que sou, mudar pensamentos, valorizar detalhes e relembrar-me que eu sou a causa.
A paz é inquietante, carregada de mágoas e frustrações.
Sinto-me protegido. Aqui protegem-me de tudo o que me possa fazer mal.
Estou a percorrer a linha que separa a vergonha de um falhanço e a da que me devolve a esperança.
Recomeçarei aqui. A vida é feita de fins e recomeços.
Recomeçarei novamente.

 

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Foto de: JESHOOTS.com