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Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Aquele segundo

Naquele segundo, deixei de acreditar no amor. Deixei de acreditar no “para sempre”. Deixei de acreditar em pessoas. Deixei de querer sonhar. Acomodei-me e tive pena de mim. Senti o mundo a cair-me nos ombros. Fiquei sem o chão. Fui empurrado para o abismo. Perdi a minha identidade. Questionei o meu ser.

Só quis morrer…

Naquele segundo, percebi onde errei. Percebi que me anulei. Tive que mudar. Tive que relativizar. Tive que me automotivar. Percebi que não estava sozinho, como julgava estar…

Naquele segundo, fui à conquista! Fiz e consegui superar-me! Consegui ver para além do horizonte! Fiquei mais forte e mais seguro!

Naquele segundo, despertou o meu ser adormecido. Deixei de ser inocente. Aquele segundo fez de mim o que sou hoje! A minha vida mudou!

Naquele segundo, redesenhei-me!

O que seria de mim sem aquele segundo?

 

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Foto de: Matej

És tu que ainda me fazes sonhar

Os minutos já se transformaram em horas. Continuo a rodopiar nesta cama vazia.

Insistes em ficar a vaguear na minha alma e levar o meu pensamento a uma quantidade de desfechos possíveis. Decisões bem ou mal tomadas. Tomado por dilemas.

A saudade esmaga-me o peito e nasce uma arritmia.

Deparo comigo em monólogos madrugadores. Abafo-os na almofada.

<<E se...>>

Esses “ses” que me levam à loucura e não me deixam dormir.

Nunca estamos preparados para uma partida, mesmo que a queiramos muito só para sossegar a mente.

Existe sempre o contrassenso do sentimento mágico criado e uma realidade oposta ao bom senso.

Continuo a revirar-me nesta cama que se tornou enorme com a tua partida.

Fico indeciso se ainda te amo, ou se só estou a adiar o meu desapego.

Queria-te aqui abraçada, ao pé de mim, sentindo o teu suspirar no meu pescoço, enquanto te enroscavas em mim com frio.

Não passam de fantasias. A fantasia onde não tinha medo de amar em cenários montados de uma forma sublime.

Caminhávamos todas as noites na lua e  o brilho do nosso amor ainda a fazia brilhar mais.

É lá que vou sentar-me todas as noites à tua espera, enquanto choro com as estrelas.

Não queria amar-te tanto o quanto te amo. Não queria deixar que partisses do meu coração.

Reviro na cama uma ultima vez e tento desligar-me de ti.

Ainda é contigo que adormeço, quando adormeço....

És tu que ainda me fazes sonhar.

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Foto de: 

Ryan Holloway

Estou aqui para te recordar

Pergunto-te como está o teu coração na minha ausência.

Respondes que não o vês e não o consegues sentir.

Abraças-me e sentes o pulsar do meu. Arrepio-te e não sabes bem porquê.

Explico-te carinhosamente que, por mais que não o sintas, ele ainda tem uma poção que o faz trabalhar:

o amor.

Não o conseguimos ver. Por vezes, não o sentimos, mas é esse amor que nos mantém vivos e esperançosos.

As minhas palavras entram na tua mente cansada, mas, mesmo assim, não desvias o teu olhar do meu e escutas-me com atenção.

Levo-te para trás no tempo e regressas à tua mocidade onde conseguias sentir a felicidade.

- As tuas palavras tocam-me no coração, mesmo não o sentindo.

Respondo:

- Não são as palavras. É o sentimento, o respeito e o amor que sinto por ti. Não só de agora, mas pelo que foi ao longo da tua vida.

Falas-me do medo que desconheces. Não sabes de onde vem.

É o medo da solidão que percorre as tuas veias, ainda que não sabendo o formato dele.

Vives sozinha com parte do teu passado. A doença de Alzheimer tem as suas consequências.

Aperto a tua mão e digo-te ao ouvido:

- Estou contigo.

Sorris de um jeito confortável e acreditado. Sinto-te segura.

Absorvo a tua angústia porque também tenho medo de me sentir sozinho.

Reconforto-te e tu deixas que o faça. O teu olhar continua a penetrar na minha alma e, com ele, tentas que eu consiga ouvir as tuas histórias.  Sei que são muitas, todas elas marcadas em cada ruga da tua pele.

Tentas perceber novamente quem eu sou, mas não te impede de me dares a tua mão quente e acreditar nas centenas de palavras que saem da minha boca.

Escrevo no coração, que dizes não sentir, o que parece reconfortar-te.

Não temos o mesmo sangue, não temos as mesmas histórias. Porém, partilhamos os dois a única coisa que nos faz ser mais. O Amor e a compaixão.

Quando me despedir de ti, sei que tudo o que te escrevi irá ser apagado e, quando te voltar a ver,  não irás reconhecer-me.  No entanto, irei sentar-me ao teu lado e serei sempre aquilo que tu queres que eu seja.

Não há limite no amor e eu só o quero que o sintas a cada presença minha. Amas-me mesmo sem saber quem sou e eu estou aqui para te recordar e ensinar a amar.

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Foto de: Fancycrave.com

Quero-vos aqui, ao pé de mim

Sorrio sempre, com medo de voltar a chorar.

Choro sempre, com medo de não voltar a sorrir.

Amo, com o receio de perder.

Se perdi, tenho sempre o receio de não voltar a amar.

Assusta-me ficar sozinho nesta solidão, numa solidão sem fim.

Orgulho-me de cada queda, mas ergo-me e volto a reconstruir tudo por mim.

Tenho medo da falta do abraço de uma pessoa amada.

Acredito que consiga superar isso tudo, nem que seja com a minha almofada.

Assusta-me uma partida, a minha partida...

Mas continuamos a seguir a nossa missão, quando alguém já terminou a sua e partiu para outra vida.

Quero brincar,  sorrir e pular. Adorava voltar a ser criança.

O tempo passou e, com ele,  levou parte das nossas ilusões e esperança.

Acabamos com uma inocência perdida.

Crescer e ser adulto também faz parte da vida.

Tenho receio de ficar longe da minha família, mas também perto o suficiente para não ser intrometida.

Gosto do carinho e a gratidão. Mas tenho medo de subitamente ficar sem chão. Quero-vos aqui, ao pé de mim, sempre com a ligeira distancia.

Mas não muito longe, no diálogo existe sempre a concordância.

Amo-me e odeio-me nestes devaneios que parecem não ter fim.

Mas, convosco ao meu lado, eu sei que irão ser sempre o melhor para mim.

 

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Foto de: Dennis Magati

Voltemos ao ponto de partida

Estivemos lado a lado e não nos sentimos. Olhámo-nos nos olhos, mas não nos vimos. Sorríamos, mas não o entendíamos. Tocámo-nos , mas não nos desejámos.

Soltaram-se palavras e não as decifrámos. Demos as mãos, mas não as apertámos.

Sentimo-nos sozinhos, mas nunca o falámos. No entanto, uma má atitude… nunca a perdoávamos.

Quis ter momentos a sós, mas não o disse, para não te aborrecer. Tive saudades tuas e nunca as contei ter.

Rodaste, vezes sem conta, a aliança e desesperaste. Beijávamo-nos e acreditaste-te. Num ciclo que parecia não ter fim, não fazia sentido para ti, muito menos para mim.

Já temos uma vaga ideia de onde falhámos. Fraquejámos no mesmo pensamento: “Quem vai ceder?”

Se soubesse o que sei hoje, voltava atrás e tentava emendar.

Estás comigo desde há muito e ainda temos muito amor para dar. Falei num passado e, agora, falo num presente. Ainda estou aqui a teu lado. Dás-me um abraço apertado, novamente? Quero-te comigo e não te quero falhar. Mas quero que vejas mais em mim, para além desta fada do lar.

És homem e eu sou uma mulher. Nunca contei que a rotina nos dominasse, mas estamos aqui, para o que der e vier.

És o meu Romeu e eu a tua Julieta. Só de imaginar a tua partida, faz-me sentir muito inquieta.

Vamos recuar no tempo. Voltemos ao ponto de partida.

Volta a beijar-me e deseja-me, até ao fim da nossa vida.

 

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Foto de: Burst

Diz-me... como ser como tu!

Diz-me o que ouvias, na dor do teu silêncio.

Diz-me onde arranjavas todas as tuas palavras de esperança para um amanhã melhor.

Diz-me como conseguias, entre as tuas dores físicas, fazer uma vida normal, desvalorizando sempre a tua incapacidade.

Diz-me como nunca te inferiorizaste aos olhos de quem te observava.

Diz-me de onde vinha essa coragem e alma guerreira que nunca ninguém entendeu.

Diz-me que que não desististe e que Deus só te quis levar para acabar com o sofrimentos que sempre ocultaste.

Diz-me que nos levas a todos no coração.

Diz-me que foste feliz com quem te rodeou e foi capaz de criar histórias que jamais vai esquecer.

Diz-me que, mesmo lá cima, vais sentir o calor do nosso abraço e o brilhar do nosso sorriso, a pensar em ti.

Diz-me que nunca vais sair do nosso lado.

Diz-me que não nos vais esquecer, porque nós  jamais te esqueceremos.

Diz-me... como ser como tu!

 

(Em memória de Juliana Barros)

 

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Foto de: Rahul

Vivam! Vivam como eu tento viver...feliz!

O calor humano que se sente é incrível!

Milhares de corações aos pulos com promessas sempre muito semelhantes aos de todos.

O barulho é imenso e eufórico.

Em cada pessoa, em cada olhar vê-se histórias vividas durante o ano que está a acabar.

Uns  colocam o olhar no céu e agradecem por, finalmente, o ano estar a terminar, como se o novo ano apagasse tudo o que viveram e que nos próximos 365 dias tudo será diferente.

A cidade, aos poucos, perde a luz, tornando o ambiente mais romântico e encantador.

Começam as badaladas e, como é tradição, tento mentalizar-me de algumas promessas.

Primeira badalada: Prometo ser um homem do Bem (Não sei porque o prometo, já que nunca  deixei de o ser.).

Segunda badalada: Prometo fazer mais exercício físico (Não sei porque o prometo, pois correr cansa-me.)

Terceira badalada: Tento prometer alguma coisa que faça sentido.

Quarta ou quinta badalada: Perdi-me já na contagem e  no meu ser.

As badaladas continuam e eu desisto de qualquer promessa, desisto de ser o que os outros querem que eu seja.

Também hoje, o céu foi pintado naquela tela negra que habitualmente é a nossa companheira nas noites de solidão. Mas há um pormenor... As estrelas parecem sorrir naquele pedacinho de luz, mesmo em frente a elas.

Perco a noção com que pé entrei, mas também não sei se isso fará muita diferença...

Olho para a tua mão agarrada à minha e olhamo-nos nos olhos.

Choramos. Não por tristeza, mas sim porque, contra todas as adversidades da vida, ainda estamos aqui, a abandonar mais um passado.

De peito aberto para o que der e vier, porque somos assim, não temos medo do destino.

Perdi a noção se o número de passas estava correto com toda aquela emoção que estava a viver.

Naquele momento, só tinha certeza de uma única promessa. Tive a certeza que te amava muito e era contigo que desejava passar mais 365 dias a lutar.

Porque tu, tu és um dos meus anjinhos na Terra.

Vivam! Vivam como eu tento viver...feliz!

Um inspirador 2019 para todos!

 

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