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Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Coração "bipolar"

“Dá-me a mão e um dia olharemos para trás e vamos sorrir pós tudo isto que nos avassala.”

 

 

Era lutadora, resiliente, encantadora, misteriosa.

A vida tinha-a moldado assim, não escolheu.

A responsabilidade que recaía sobre si era enorme. Nada é mais frustrante do que perceber que amanhã tudo não passaria de mais uma história, de um romance fracassado.

Acreditou, porque era feita de esperança.

Despiu-se de todas as capas, de todos os filtros, de todos os medos para poder viver o que a completava. Dançava sobre um manto de estrelas cantando com um sorriso mais brilhante do que a lua.

O amor. Vivia-o.

Ele observava-a incapaz. Não se sentia suficiente.

Sempre sonhou com aquele momento, tinha medo de acordar.

Os dias passavam lentamente, o progresso parecia não existir. A tristeza tomava conta daquele peito que transbordava sentimento. Aos poucos o ego ficara desfeito em mil pedaços.

Não conseguia amar pelos dois.

Quase sem forças deu-lhe a mão e puxou-o até ao limite das suas forças fez o que estava seu alcance para o proteger de tudo o que o atormentava.

Num olhar de desilusão as palavras saíram do coração.

- A partir daqui caminhas sozinho. Amo-te mas não consigo gostar mais de ti.

Sentia-se justa com ele, por ela. Porque ela, ela era dona de si.

Queria ter o direito à felicidade. Queria ser amada como merecia. Tinha o direito a viver o amor sem medo. Aceitou.

Naquele momento percebeu que a tinha perdido. Percebeu que nunca lhe conseguiria dar a tão esperada felicidade.

Perdeu-se no mundo complexo, perdeu-se no turbilhão de sentimentos. Perdeu-se dentro dele.

Impávido e sereno viu-a partir. E sem voz implorou que voltasse.

Talvez uma simples atitude bastasse, para que tudo fosse diferente.

Ficaram as partilharas de sorrisos, das lágrimas, esperanças e fracassos. Ficaram os sonhos desenhados nas nuvens que se dissiparam, as promessas escritas na areia que o mar apagou, um ponto final numa história que terminou.

Na desilusão, ganharam forças para sorrir quando a vontade era chorar.

Naquele fim, foi um novo inicio.

Naquele fim ficou a gratidão por se terem cruzado.

Onde fores feliz, seremos. Nesse coração "bipolar".

 

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Foto de: Victor Freitas

Fragmentos de ti

(Em parceria com: Sofia Martins)

 

O céu rendeu-se à tua chegada no adeus final.
Agora és a luz e o silêncio. A dor rasgada em saudade.
Sei que te despedias em todos os olhares que me rompiam a alma. Pedias-me que me erguesse com a força que não tiveste. Que escrevesse na eternidade o jardim onde já não estavas.
Nas memórias ficaram histórias de papel. Suspiros ancorados em nuvens de emoções. Chuvas que pintavam arco-íris. Legendas em sonhos que vestiram de real o impossível.
Não voltarei a procurar-te em outros corpos. Não estarás mais no teu sorriso para sossegar o meu desassossego. Não haverão mais distâncias encurtadas na proximidade da tua pele.
Agora és a música nas asas em que voo para te abraçar. O livro imortalizado onde foste a verdade e o mapa para me elevar até à eternidade.
Não há mais limites, nem lugares. Há apenas o que deixaste: a tua luz dentro de mim. 
E ainda te vejo, és tu que inspiras o sol que acorda os meus dias. És a força que me ergue. És a mais bela história que vivi.
Olha por mim… Até um dia!

 

Nunca houve um dia que não te dissesse que te amava só com o meu olhar. Nunca consegui deixar de o dizer.

Esse olhar que implorava que me tirasses do sofrimento que me abraçava de uma forma tão intensa que me fazia doer todo o meu corpo.

Gritei, senti os meus pulmões apertados contras as minhas costelas, ninguém me conseguia ouvir. Tentei falar, ninguém me entendeu.

Todas as minhas histórias de homem feliz foram-me sugadas e atiradas para bem longe, não as conseguia ver. Tudo era mau em mim.

Ficou tudo muito pesado e escuro. Desesperava.

No meu silêncio o teu olhar dava-me a réstia de esperança, que ainda existia. Desejei vê-lo todos os dias de uma forma constante. Não era feliz sem ele.

Arrastei-me.

As horas passaram a dias, os dias passaram a meses sem que nada nem ninguém pudesse mudar o meu passado. Sofria.

Não consegui mais. Desisti.

Num ato de desespero para encontrar o meu caminho em busca de felicidade. Comigo levo o amor que me entregaste de corpo e alma.

Comigo levo para sempre esse teu olhar brilhante que me iluminava.

Comigo levo o teu amor, as nossas histórias, comigo levo tua imagem na minha memória onde esta ultima lágrima que me cai é tua.

Perdoa-me. Não te podia arrastar comigo.

Espero por ti já velhinha no sítio onde nos beijamos a primeira vez. Iremos a tempo de sermos felizes.

Vive-te.

Estarei sempre ao teu lado.

Sente-me.

Amarte-ei para sempre.

 

 

Em memória de J.

 

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Não consigo ter voz

Não consigo ter voz.

Deixas-me inquieto com a tua presença.

Gostava de te dizer o quanto me fazes falta, o quanto um carinho teu me acalma.

Não consigo.

Desejo muito voltar a reviver as nossas histórias contigo.

Sou incapaz.

Eras a pessoa em quem mais confiava, algo aconteceu, a confiança desapareceu.

As mágoas escondem-se por detrás de um sorriso. Nada se passa e tudo acontece numa alma cheia de pensamentos.

Sempre acreditei que era um problema, sempre foi isso que me fizeste sentir.

As exigências eram constantes. Tentava acompanhar. Não consegui.

Tudo foi em vão, parece que o esforço não foi evidenciado.

Sempre quiseste mais de mim e eu em contrapartida só te queria a ti.

Sentia-me sozinho mas era feliz por te ter a meu lado, mesmo com defeitos. Eram eles que te tornavam encantadora.

Errei.

Perdi a minha identidade a tentar ser o teu espelho.

Parei naquele reflexo.

Hoje questiono quem realmente sou. Não sou o teu reflexo mas sim o das minhas lutas.

Ficaste para trás com uma mágoa que me transcendeu, com um sofrimento que nunca irás entender.

Por mais que reivindicasse quem realmente era, parecias não perceber. Não te identificavas.

Sou um corpo carregado de momentos e sentimentos. Bastava aceitares.

Somos diferentes mas somos especiais.

Queria ter voz para te dizer que amo a nossa diferença.

Queria ter voz para te dizer que me fazes falta.

Queria ter voz para te dizer que penso em ti todos os dias.

Um dia ganho coragem para ter voz e falo-te do verdadeiro “eu”.

Nesse dia vais conseguir ouvir-me?

 

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Foto de: Austin Guevara

 

Um dia irás entender tudo

Um dia irás entender que todas as palavras ditas com rancor foram injustas e desnecessárias.

Vais entender que a ausência poderá não ter sido a melhor das tuas opções .

Um dia vais perceber que não podes fugir o tempo todo e terás que aceitar.

Vais perceber que o orgulho tem que ser colocado de parte para te poderes sentir respeitado e aprender a respeitar.

Um dia vais conseguir conter emoções e deixar de ser impulsivo.

Vais conseguir colocar-te numa perspetiva diferente e perceber que uma palavra, gesto ou emoção pode magoar.

Um dia vais conseguir dedicar-te com o medo de perder.

Vais perceber que andavas simplesmente a divagar e que voltavas sempre ao mesmo ponto de partida onde estava sempre o mesmo à tua espera. O vazio da solidão.

Um dia vais conseguir ver que nem toda a gente que te é próxima é teu amigo.

Vais ter que tomar opções entre os que são especiais para ti ou tu e os teus sonhos.

Um dia vais começar a perceber que poderás não estar correto.

Vai existir a duvida. No silêncio irás ouvir a minha voz e das pessoas que só te querem bem. Conversas que surgiram não ao acaso.

Um dia vais perceber que não consegues sozinho e irás necessitar da mão de alguém para te centrar e orientar. Vais aprender a amar e a valorizar.

Um dia vais perceber que o problema não esta só no resto do mundo mas também esta em ti.

A consciência vai pesar e vais perceber que não tiveste uma atitude justa e madura para comigo.

Um dia vais sentir a necessidade de um perdão.

Não o faças.

Já te perdoei, um dia.

Espero que um dia te perdoes para poderes seguir para o teu destino sem olhares para trás. Anseio esse dia. Porque um dia eu amei-te mas não vai deixar de haver um dia que não goste de ti.

Tenta ser feliz, um dia.

 

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Foto de: Negative Space 

Retratos da saudade

É neste banco de madeira que aguardo por ti até o sol deixar de brilhar.

Aguardo que as tuas mãos me vendem os olhos e me sussurres que chegaste.

Vejo o teu corpo recortado a cada sombra. Suspiro incontrolávelmente por não te ver.

Sinto o teu perfume a cada brisa que se faz sentir.  Sinto-me a enlouquecer.

Olho para o horizonte, perco-me nas memórias e sonhos.

As nuvens desenham os retratos da saudade. Imagino-te em cada forma moldada pelo vento.

Estou sufocado nesta dor de te querer e não te poder ter. Volto no tempo e revivo tudo novamente nestas recordações já ténues mas marcantes.

Ouço-te gritar que me amas neste silêncio que se faz sentir.

Acolhe-me num abraço teu e acaba com este vazio.

Há sentimentos que não cabem no peito e sem palavras para os definir. Vivem-se. Vivo-os.

Foi neste banco de madeira já gasto de histórias que vivemos um amor sem igual.

Quis o destino que ficássemos separados neste mundo tão pequeno mas distante.

Uma magia substituída por palavras escritas borradas de lágrimas e saudade.

Neste banco perdi-te de mim mas ficou parte de ti.

Volta.

 

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Foto de: Tobi

Feliz acaso

Vagueava ao brilho da lua.

Nada acontecia como planeava. Deixara de sonhar.

Disfarço-me por entre esta multidão que se diverte sem me notar.

Viste-me!

Um acaso distanciou toda a gente para ficarmos em foco. Os olhares são recíprocos.

Também te consigo ver.

Algo falhou com o nosso escudo. Sentimo-nos estranhos e expostos.

Por um acaso conseguimos conversar. Já tinha acontecido, já nos conhecíamos desde há muito. Talvez numa vida passada.

Estás tranquila com a minha presença. Sinto-me parte de ti e estranhamente sinto o mesmo.

Entranhou-se o teu perfume numa dança desejada para não ter fim. 

Eras perfeita.

Encontramo-nos por um acaso e naquele acaso mudámos a nossa vida.

Enquanto vagueava nunca imaginei que iríamos ser os melhores amigos. Nunca imaginei que jamais nos iríamos separar após aquela noite. Estávamos longe de prever que iramos escrever histórias sobre o fantástico.

Foi aquele acaso que nos fez inseparáveis. Deixámos de ser invisíveis, sem receios.

Ao acaso surgiu amor. Mesmo sem o percebermos.

Naquela acaso ao brilho da lua acrescentamos o que nos faltava. O nosso amor.

Amo o acaso.

Amo-te a ti.

 

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Foto de: Andreia Ferreira