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Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

És a tua esperança

O coração é vazio, é discrepante com a mente que transborda em perguntas e respostas.

O único som que ouves é do relógio a contar o tempo e continua tudo igual.

Vês vida, não a tua.

Perdeste a capacidade de agir, sentes-te sozinha e debilitada.

A cada dia que passa tentas encontrar mais razões para manter essa tristeza porque não há ninguém que te entenda. Não há ninguém que tenha mais pena de ti do que tu.

O que te parou?

Porque não te deixas dormir?

Porquê tanta ansiedade de querer voltar ao passado e emendar onde tudo mudou?

Aceita que perdeste o chão e ficaste sem a tua zona de conforto.

É duro! Eu sei.

Encara como uma oportunidade para te fortaleceres. Erramos e aprendemos para que num futuro mais promissor possamos escolher o caminho correto.

Não tentes encontrar mais desculpas na sombra do passado.

És a tua esperança. Abraça-te, mima-te. 

Aprende a viver contigo, conhece-te, procura-te. O problema não está no mundo, está em ti.

A dor é temporária tal como nós neste planeta.

Contorna-a com o que te preenche, com o que te realiza. Devolve-te, cria um novo “eu”.

É preciso muita coragem para agir e decidir, tu tens. Acredita nas tuas capacidades, acredita na mudança.

Nunca vais esquecer o que te derrubou mas vai ser sempre esse sentimento de perda que te vai fazer investir na vida.

Não sejas exigente em demasia, tens limites. Se não conseguires é porque já tentaste.

Orgulha-te!

Um dia vais olhar para trás e agradecer este episódio infeliz.

És mais forte do que as tuas desculpas.

O que tens mais a perder?

Nada.

Age à tua maneira mas age. Por ti.

 

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Foto de: Leah Kelley 

Reescrevi a história

Chorei!

Chorei até não ter mais lágrimas.

Nada fazia sentido.

Mergulhei numa tristeza que só eu entendi.

Aos poucos as peças soltas deste puzzle começaram a encaixar. Ficou tudo mais organizado apresentando uma imagem clara.

Os pequenos detalhes sempre estiveram presentes e não os quis ver.

Naquela peça de teatro tão belamente escrita não passei além mais de figurante.

Sentia-me feliz por te ver no papel principal.

Naquele final não me deste a mão para agradecer ao público. Saíste de cena.

Foi a tua escolha.

Passei dias a olhar para infinitos na esperança que o vento te trouxesse novamente.

Foram aquelas imagens permanentes na minha alma que me fizeram entender que tinha que mudar.

Mudar as minhas escolhas.

Produzi a peça, decorei o meu cenário, escolhi os meus figurantes.

Uma história tão em comum com outras pessoas sobre um amor não correspondido.

Voltava a chorar cada vez que se baixava o pano.

A mágoa e a raiva eram persistentes mas mesmo assim não falhei nem a um ensaio.

A casa estava cheia, todos viviam a dor daquela personagem solitária. Eis que alguém salta do público, interrompe a dramatização.

O fim que escrevi inúmeras vezes sem sucesso. Surge o amor a olhar-me nos olhos, apertando-me a mão enaltecendo aquele final.

Era figurante, hoje tenho a minha história.

Hoje neste palco da vida falo contigo, para ti que estás na plateia:

"Há passagens que acontecem para sermos mais.

Não pares de escrever. Produz a tua peça.

Vamos pintar um novo cenário."

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Foto de: Pixabay

Silêncios da noite

- Estás acordada?

O silêncio é interrompido com palavras de coragem de quem tenta vencer o sono.

- Sim, diz.

A madrugada era reveladora de muitos pensamentos.

- Faz tempo que estamos juntos. Conheço todo o teu bom e mau feitio. De olhos fechados conheço todas as tuas rotinas e sei de cor todos os teus gostos.

Ela volta-se para poder ouvir melhor.

Fico em silêncio a ver todo aquele ar ensonado.

- Continua.

Não sabia se era o momento ideal, era mais um devaneio que me assolava no silêncio da noite.

- Acho que nunca me expressei como mereces. Nunca disse o quanto me orgulho por te ter ao meu lado.

A luz do candeeiro acende-se.

Os olhos arregalam-se.

- Estás bem?

Compreendi o porquê da pergunta. Quem se lembra de fazer declarações a meio da noite?

Estava feliz por o ter conseguido dizer sem medo de parecer ridículo.

- Sim, estou bem. Sinto-me bem e feliz por dormir contigo todas as noites. Sou feliz quando me abraças, quando resmungas comigo logo pela manhã. Não sou feliz quando me mandas às compras, despejar o lixo ou levar o cão à rua. Mas mesmo com esses pequenos momentos que não consigo gostar, abro aquela porta com a ansiedade de te ver. Sinto-me feliz contigo.

Beijou-me.

- Sou muito feliz ao teu lado e quero que saibas disso também.

Ficamos os dois em estado adolescente no abraço felpudo dos pijamas.

- Agora sim, já podes dormir.

A luz do candeeiro apaga-se.

O silêncio volta a ser interrompido.

- Amor, agora que sabes o que não me faz feliz, amanhã podes ser tu a levar o cão à rua?

- NÃO.

- Também te amo, dorme bem.

 

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Foto de: Burst

Desculpa, sei que não sou perfeito

Há escuridão que ninguém consegue ver,

Tentam.

Existe um sorriso a transcender.

Tenho uma emoção a devastar.

Se vejo alguém em baixo, tenho sempre uma palavra para dar.

Há que acreditar, nestes dias que parecem não ter fim.

Parecem ser bons para o mundo todo, menos para mim.

Arrasto-me dia-pós-dia.

O meu anjo da guarda puxa-me, é a minha filha a minha alegria.

Nada fez para me merecer assim.

Não me julga.

Liberta o que melhor há em mim.

Tento dormir, já não aguento.

Todos me dão soluções mas desconhecem de todo este apoquento.

Não deveria ser assim.

Eu sei, já muita gente me disse!

Não peço muito, só te queria perto de mim.

Partiste e nada parece fazer sentido.

Volta para mim, fica comigo.

Desculpa, sei que não sou perfeito.

Pudesse eu ser indiferente e não te carregar no meu peito.

Vou continuar com este desapego.

Continuam a perguntar se ainda te amo.

Claro que sim, não o nego.

Ficas desde já a saber:

Amei-te muito.

Só agora o consigo perceber.

Esta escuridão vai passar.

Mesmo que sozinho, ainda tenho muitas cartas para dar.

 

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Foto de: Pixabay

 

Sem ti, tenho medo

Acordei sozinho.
Não, não me podes ter feito isto novamente. Tenho medo.
Tento descer da cama, mal consigo chegar ao chão.
Não, não me podes voltar a fazer isto. Tenho tanto medo.
Procuro-te em cada divisão, não te encontro.
Sinto-me em desespero.
Não, por favor não me faças isto. Não me abandones.
Preciso de ti e tu de mim, não temos mais ninguém.
Pijama vestido, chupeta na boca e fralda em punho saio em teu alcance. Deixei de ter medo, por ti.
Sinto a terra da rua a sujar-me os pés. Não há dor ao pisar as pedras que me tentam demover de te procurar.
Choro. Grito por ti. Não apareces.
«Onde estás?»
Não, não me fizeste isto.
Sonho contigo todas as noites, anseio adormecer no teu peito a ouvir a tua voz, quero sentir o teu respirar, quero-te ao meu lado.
Sinto o teu cheiro na minha fralda. Cheiro-a de uma forma constante só para te sentir mais perto de mim.
Não é justo.
Não me podes fazer isto.
Sinto uma mão no meu ombro, pararam a minha procura. Pegam-me no colo.
Contorço-me em lágrimas.
Vão-me fazer voltar novamente para a realidade, sozinho.
Sei o quanto te custa trabalhar para me sustentar, mas é dolorosa a tua ausência.
Volta rápido, mãe.
Sem ti, tenho medo.

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Foto de: Pixabay

Acredita comigo

Olha para ti, estás sem rumo, escondes para quem te rodeia que estás à deriva como um barco sem leme guiada só pelo vento.

Deixaste de acreditar, deixou de haver cores na tua vida, passaste a ver tudo em escala de cinzas.

Não há recordações, não há saudade, deixou de existir sentimentos verdadeiros.

Estás magra, nada te consegue alimentar. Até a tua comida favorita perdeu o sabor. É tudo tão neutro e insípido. É tão duro que até parece um enorme sacrifício respirares. Como te deixaste arrastar até aqui?

Onde está a esperança que tanto alimentaste anos a fio sem nunca largar mão?

Reconquista-te. Mereceste-te.

Viver não é fácil, escolher caminhos é doloroso mas dá o primeiro passo. Seja em que direção for.

Orgulha-te de onde vieste, dos teus passados, do que perdeste e conquistaste. Sempre conseguiste e não vai ser agora que vais deixar de sentir os perfumes da vida.

Eu acredito que és capaz.

Acreditas em mim?

Acredita comigo.

 

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Foto de:  Matheus Bertelli

Medo ao amor

Tento e nada consigo.
O amor é assim tão complexo?
Parece ser muito simples para quem me rodeia.
Por vezes invejo-os.
Será que são tão emotivos quanto eu?
Tento perceber a fórmula para superar o medo de uma partida.
Não o têm. Vivem até onde tiver de ser. Simplesmente vivem.
Fico petrificado só em pensar em mais um fracasso. Não consigo avançar. É esse o meu erro.
Procuro inconscientemente defeitos para ficar de pé atrás e não me apegar.
Assim que chega o dia da partida já me sinto mentalizado. Ou não.
Não vivo. Não consigo viver o amor.
Tenho tanto para dar e nada dou.
Salvaguardo-me.
É tudo tão simples e torno tudo num choque emocional.
Há uma ferida aberta mas não deixo que ninguém cuide dela.
Aprendi a viver em dor.
Diminuo-me.
Não o deveria fazer mas foram os dissabores da vida que me fizeram assim.
Passados.
Expectativas elevadas.
Solidão.
Vivo num mundo onde não há diálogo, afecto, a importância.
É tudo sem sabor. Sobrevivo.
Será que eles alguma vez viveram com essas ausências?
Tive que aprender.
Foi difícil aceitar viver sem o que nos faz sentir vivos.
Mas já o tive, já o senti. Senti muito.
Quando vivo o amor, vivo-o intensamente.
Recordei-me agora.
Eles têm razão! O amor é para ser vivido.

 

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Foto de: pexels.com