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Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Espelho de mim

Entraste na minha vida lentamente e lentamente ocupaste o meu pensamento. Conseguiste entrar nas profundezas de um sentimento adormecido, a ansiedade de te falar, de te ver, de te poder tocar começaram a ficar incontroláveis.

É tudo tão estranho e ao mesmo tempo tão puro.

Deixo-me ir como a brisa sobe o mar, orientado pelo aroma da tua pele inconfundível a quilómetros de distância, tudo parece irreal. Estas aqui ao meu lado, apertas a minha mão e sorris para mim, o meu sangue ferve de desejo de te abraçar cada vez mais, só te quero beijar e poder viajar para um universo pararelo só nosso.

Vamos embora!
Vamo-nos deitar sobe um areal e fazer desenhos nas estrelas, vamos dançar ao som do nosso confidente mar com a luz da lua.

Quero acordar abraçado a ti cheio de areia e beijar a tua boca em tons laranja com o reflexo do nascer do dia.

Mas não partas! Não me largues.

Quero ser teu.

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 Foto de: Sara S.

http://fotografiasaras.blogspot.pt/

 

A noite dentro do peito

«Capacita-te que foi o fim»

Pensava ela todas as noites agarrada àquela almofada branca com ligeiros tons amarelados das lágrimas que caíam na escuridão.

Tinha perdido a sua identidade, a inocência, não sabia que caminhos seguir e limitava-se a ser arrastada.

O sentimento teimava em não desaparecer, ele continuava a viver dentro dela e não havia forma de o conseguir despejar. Os amigos puxavam-na a sair do buraco que ela escavava diariamente, aos poucos tentava transformar a sua raiva em energia nas danças de um bar, dançava freneticamente num estado de espirito só dela. Não havia espaço para emoções ou sentimentos, estava completamente vazia. Tentava de todas as formas possíveis transformar aquele sentimento. Não se privava de conhecer pessoas mas afastava-as porque estupidamente já estava a comparar ao seu passado, o que estava a sofrer, o medo já reinava e ainda só tinha ouvido o nome. Ela queria estar sozinha, queria paz, queria fazer o luto que fosse preciso.

As suas preces de pedidos de sossego não eram ouvidas e cada vez que ia sair para se distrair tinha que levar com mais engates do mais lamechas que podiam existir.

“Chega! Para anormais já me chegou um.”

Começava a ficar saturada e ligeiramente frustrada, sentia que levou com um rótulo.

Voltava novamente o sentimento de revolta e angustia, porquê ela? Sentia que estava constantemente a falhar, sentia que o problema seria dela.

“Eu entreguei-me, eu tentei dar-lhe amor, tentei dar-lhe o melhor de mim.”

Dominada pela raiva agarra no telemóvel e escreve uma mensagem a extravasar todo o rancor que lhe sentia, todo o sofrimento que estava a passar, todo o mal que lhe desejava, quando chegou ao final ficou minutos a olhar para aquele ecrã, até que se desligou. Não teve a coragem de enviar, não se conseguiu humilhar mais.

Sentada, travou o telemóvel entre as pernas e ficou com as mãos a agitar o cabelo, a respirar fundo para controlar a ansiedadade que estava a sentir.

”Talvez não tenha nascido para ser amada!”

Voltava ela ao mesmo, ficando desfeita em mil peçados.

Ela só queria ter sido feliz mas sentia que a sorte lhe passava sempre ao lado.

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Foto de: Sara S.

http://fotografiasaras.blogspot.pt/

Perdido no passado

Foram dias que andou perdido, dias que suportou as opiniões dos amigos o que lhe causava ainda mais o caos nos pensamentos negros e ruidosos, dias que lutou contra os medos, o pânico, a aceitação da realidade. Entrou num sentimento de solidão, estava completamente vazio.

“Moço, acorda! Era uma relação doentia.”

Mal eles sabiam que ele era meio “bipolar” e ela meia “esquizofrénica” e só com o odio é que se conseguiam amar.

Tentou provar que sabia viver sozinho, criou um doce fantasia dentro dele para emendar o ego ferido.

Num ataque de loucura foi sozinho ouvir as bandas favoritas de ambos, ele só queria o milagre de a ver nem que fosse acompanhada por outro, com aquele sorriso tanto adorava.

Passou a noite a olhar cada metro quadrado, cada rosto das milhares de pessoas que lá se encontravam. Fechava os olhos e imaginava-a…

Por momentos pensou que estivessem os dois a calcar aquele chão poeirento ligeiramente humedecido, respirando a orvalhada que se fazia sentir, ouvindo a mesma melodia.

Mas não, não a sentiu...

Sentiu-se sozinho, sentiu que a procurou, sentiu que estava ali só para lhe provar que também conseguia seguir o caminho sem ela.

Foi frustrante para ele ter a perceção da realidade, a perceção que ela era parte do seu passado.

Ele sabia o quanto difícil estava a ser e o quanto iria ser, acabou por o massacrar ainda mais sem o saber.

“Eras minha e perdi-te!”

Desconhecidos abraçaram-no, acolheram-no, completamente embriagado chorava as derrotas.

“Mas era a ela que queria, era ela que deveria estar aqui, era ela que eu deveria estar a abraçar.”

Levantou-se completamente sujo e todo desajeitado.

“Que puta de bebedeira, não bebes mais! Ela não merece tanto, a cerveja está a 2€ o copo, as tuas lágrimas estão a valer ouro rapaz!”

Desatou às gargalhadas.

“Capacita-te, a vida nem sempre é justa, mas mesmo assim não te impeças de sorrir! Vamos dançar?.”

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Foto de: Sara S.

http://fotografiasaras.blogspot.pt/

 

Quem foi ele?

 

Foram noites de cumplicidade, momentos inesperados mas únicos que viveram só os dois, tantas vezes que ela abdicou da sua vida pessoal.
Acreditou que ele iria mudar, que iria lutar por ele, por ela, por ambos.
Quis acreditar que era com ele que iria ser feliz, sempre mantendo os pés na terra, era madura, já sofrera no passado e abriu novamente o seu coração. 
Amava-o tanto e subitamente deixou de fazer sentido na vida dele.
Deitou todo o amor fora como se de um lenço descartável se tratasse, não valorizou, não pensou no passado vivido, nos sorrisos cúmplices, nas trocas de mimos e beijos.

Foi como se nada tivesse existido!

Desligou-se imaturamente e egoístamente como se ela não tivesse qualquer tipo se sentimento e fosse uma qualquer. Ficou, apático, frio, sem sentimentos, fazendo-a sentir-se a pior mulher à face do planeta.
Ele tomou-lhe o pulso!
Noites sem dormir, lágrimas que teimavam em não parar e a cabeça sempre com a mesma pergunta:

«Porquê?»
Ela não se parava de massacrar, de se desvalorizar, de se culpar, de se humilhar.
Ficou a perceber que o amor em excesso também enjoa, a falta de amor-próprio não ajuda e foi dada como um bem adquirido.

O amor foi  puro e um pouco maternal e foi aí que falhou. Era inevitável não lhe responder para os encontros ocasionais, o desejo de estar com ele era maior. Era Amor.

Aos poucos foi entendendo uma coisa.
Tinha que ter amor-próprio!
Tinha tanto medo de o perder e já o tinha perdido.
Quanto mais fria e forte ela ficara, mais assustado ele estava.

O amor é mesmo estranho e ele também o era.

A duvida subsiste:

«Quem foi ele?»

 

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Foto de: Garon Piceli 

 

"Onde falhamos?"

Passaram o dia a trocar SMS, era impossível não discutir, era impossível decifrar a intenção de cada palavra escrita. Entre o amo-te e o odeio-te atira com o telemóvel para o sofá em desespero por não saber o que falar mais.
Sufocado decidiu sair sem destino, destino esse que o levou ao sítio do primeiro encontro, sentou-se naquele rochedo debruçou os braços nos joelhos balançando-se inquietamente. Pensava em toda a felicidade vivida naquele local, na paisagem que deixou de ser mágica por não ter os braços dela enrolados no pescoço, nas memórias que o faziam reavivar sentimentos adormecidos e enquanto sonhava acordado sente uma mão no ombro. Nem sequer olhou para trás, um vulto sentou-se ao lado dele. Era ela! 
“O que fazes aqui?”
Ela não abriu a boca, manteve-se em silêncio como se tivesse a relembrar o mesmo que ele.

Ficaram largos minutos sem pronunciar uma única palavra e ao som do bater das ondas nos rochedos ele pergunta:

“Onde falhei?”

“Onde falhaste? 

“Onde falhamos?”
Não se conseguiam explicar e limitaram-se a olhar um para o outro com o olhar encharcado de lágrimas iluminado pelo brilho da lua, sendo secado instantaneamente pela brisa que se fazia sentir.
“Não me voltes a contatar” pediu ela, dando-lhe um beijo na cara.
Levantou-se e foi-se embora muito rapidamente.
Ele ficou impávido e sereno vendo-a a entrar no carro.
Arrancou como se tivesse a fugir do destino, enquanto ele ficou a ver aquele faróis vermelhos cada vez mais distantes como ditando o fim quando os deixasse de ver.
A adrenalina subitamente tomou conta do corpo dele e tremia como se tivesse com hipotermia e foi aí que percebeu, percebeu que tinha sido de vez.

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Foto de: Sara S.

http://fotografiasaras.blogspot.pt/

 

"Enganou-me ou perdeu-se?"

Ele continuava sorrindo, com a tristeza que o atormentava, salientando-se no olhar. Pensamentos sombrios ligavam o seu coração a passados distantes e sem querer emaranhou-se neles, sufocando-o. Vivia um dia de cada vez acreditando  que o amanhã iria ser o dia em que tudo iria mudar. Perdeu a noção entre a realidade e a fantasia, ergueu-se por uma questão de orgulho e assim que se ergueu olhou à sua volta e perdeu o horizonte, subitamente sentiu que estava sozinho naquele caminho lamacento e escorregadio.

Ela com sentimento de impotência limitou-se a observar e com distância para se proteger. Era muito triste para ela vê-lo cada vês mais distante, cada vês mais perdido nas suas lutas interiores, o diálogo era quase impossível. Ele estava completamente fechado num sentimento negativo que o transcendia, todo aquele encanto desapareceu de um dia para o outro e passou a ser uma pessoa revoltada e mal resolvida como se alguém reencarnasse aquele corpo. Ela já não sabia o que pensar.

“Enganou-me ou perdeu-se mesmo nos pensamentos dele?’”

Ele foi dando passos leves e precisos e por vezes lá escorregava. Ficava irritado porque se sujava todo, erguendo-se novamente na esperança que no final daquela caminhada ela lhe pegasse na mão e o abraçasse sem preconceitos por estar sujo.

Ele só tinha uma coisa em mente, havia de chegar o dia em que ia suspirar de alivio, iria sorrir e dizer:

“Já cheguei, vamos só tomar um banho? Quero que sintas as minhas cicatrizes e te orgulhes delas."

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 Foto de: Sara S.

http://fotografiasaras.blogspot.pt/

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