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Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Enquanto a cidade dorme

Chove.

Fumo o cigarro num peitoril húmido.

A cidade dorme. Observo-a.

Não sei o que faço aqui, não lhe pertenço. Fiquei aqui por amor, por ti.

Procuro uma alma pela janela, não encontro. Está tudo tão vazio e escuro como eu.

A garrafa volta a encher o copo de vinho. Estou sem rumo, sem saber o que fazer. A lareira acompanha-me, o caderno sempre próximo de mim, converso sozinho. Deixei tudo para trás, lutei por um sonho.

Um sonho que deixou de existir, tu.

Estou impaciente, sinto-me confuso, nunca previ isto. Ainda te amo mas nego.

Escrevo-te, apago, volto a escrever. Sinto que perdi o meu discernimento. Questiono-me vezes sem conta que rumo irei de dar à minha vida.

Tenho muitas saudades tuas, sei que também as tens. Também sofres no teu silêncio. Não o falas.

Choro.

Fica impossível de controlar o sentimento e enquanto isso a cidade olha-me em silêncio.

Tenho que descansar e não consigo, o corpo pede mas a mente não consegue parar. Não sei o que o futuro nos reserva mas é garantido que o passado foi fantástico.

 Amei-te, fui amado.

 Deito-me na cama que era partilhada por ti.

Está vazia.

Sinto a tua falta.

O dia vai nascer não tarda nada. Vou descansar nesta cidade a que não pertenço mas que me acolhe e já começa a ser parte de mim.

 

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 Foto de: Pixabay