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Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Atrás daquela porta

A porta fechou. 

Soou barulho metálico do trinco. Com aquele som ficou para trás a nossa história, um som que se dissipou em segundos, tal como os nossos sonhos.

Uma porta separava-nos. Voltámos as costas um ao outro. 

Era impossível esconder toda aquela tristeza que nos assolava, falhámos um com o outro, falhamo-nos. 

Olhava cada passo que dava, as malas baloiçavam na mão. A cada passo, mais distantes ficávamos. De coração desfeito, com uma saudade enorme dos tempos passados, seguia.

Não sabia como iria lidar com a tua ausência dali para a frente, sabia que não podia voltar para trás.

Corpo trémulo, respirava bem fundo para não chorar, estava carregado de adrenalina. Sentei-me no carro, sabia que tinha que seguir, pareceu que te esperava.

Não vieste. 

Foi mais uma das minhas muitas ilusões. Tinha que seguir, tinha que continuar mas não queria. Nunca antes te tivera abandonado. Foram longos anos de amor e esperanças. Desapareceram. 

Atrás daquela porta ficou a nossa última conversa como casal, a nossa última fotografia juntos, o nosso último abraço sentido, atrás daquela porta ficou parte de mim, em ti. 

Ao som daquele barulho metálico do trinco terminou a nossa luta, o resto da esperança, esperança essa que nos mantinha, as sobras de um longo amor cúmplice. 

Tivemos uma história, chegou ao fim. 

De um lado da porta ficou uma alma sonhadora.

No outro ficou alguém que sonha contigo.

 

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Foto de: pexels.com