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Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

A noite dentro do peito

«Capacita-te que foi o fim»

Pensava ela todas as noites agarrada àquela almofada branca com ligeiros tons amarelados das lágrimas que caíam na escuridão.

Tinha perdido a sua identidade, a inocência, não sabia que caminhos seguir e limitava-se a ser arrastada.

O sentimento teimava em não desaparecer, ele continuava a viver dentro dela e não havia forma de o conseguir despejar. Os amigos puxavam-na a sair do buraco que ela escavava diariamente, aos poucos tentava transformar a sua raiva em energia nas danças de um bar, dançava freneticamente num estado de espirito só dela. Não havia espaço para emoções ou sentimentos, estava completamente vazia. Tentava de todas as formas possíveis transformar aquele sentimento. Não se privava de conhecer pessoas mas afastava-as porque estupidamente já estava a comparar ao seu passado, o que estava a sofrer, o medo já reinava e ainda só tinha ouvido o nome. Ela queria estar sozinha, queria paz, queria fazer o luto que fosse preciso.

As suas preces de pedidos de sossego não eram ouvidas e cada vez que ia sair para se distrair tinha que levar com mais engates do mais lamechas que podiam existir.

“Chega! Para anormais já me chegou um.”

Começava a ficar saturada e ligeiramente frustrada, sentia que levou com um rótulo.

Voltava novamente o sentimento de revolta e angustia, porquê ela? Sentia que estava constantemente a falhar, sentia que o problema seria dela.

“Eu entreguei-me, eu tentei dar-lhe amor, tentei dar-lhe o melhor de mim.”

Dominada pela raiva agarra no telemóvel e escreve uma mensagem a extravasar todo o rancor que lhe sentia, todo o sofrimento que estava a passar, todo o mal que lhe desejava, quando chegou ao final ficou minutos a olhar para aquele ecrã, até que se desligou. Não teve a coragem de enviar, não se conseguiu humilhar mais.

Sentada, travou o telemóvel entre as pernas e ficou com as mãos a agitar o cabelo, a respirar fundo para controlar a ansiedadade que estava a sentir.

”Talvez não tenha nascido para ser amada!”

Voltava ela ao mesmo, ficando desfeita em mil peçados.

Ela só queria ter sido feliz mas sentia que a sorte lhe passava sempre ao lado.

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Foto de: Sara S.

http://fotografiasaras.blogspot.pt/