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Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Tu consegues

- Levanta-te! Pensas que é fácil para mim ver-te aí sem chão?

Pensas que não acreditei nesse sonho juntamente contigo? Sim, também me dói. Mas dói muito mais ver-te nesse estado sem nada conseguir fazer.

Não, não vou ficar impotente a assistir. Entende que sou um dos pilares que restaram nesses escombros onde te encontras.

Onde estás? Dá-me um sinal.

É possível reconstruir tudo novamente.

Luta, luta por ti, luta pela tua vida.

Tu consegues.

Acreditei sempre contigo, esta é só mais uma vez. Sou parte da tua história.

Levanta-te, sacode-te.

Estou aqui para te enxaguar essa cara marcada por linhas pretas. As tuas lágrimas são negras.

Vou-te desenhar um enorme sorriso, ajudar-te a apagar este presente já tão passado. Imploro-te. Levanta-te. Tens muito para oferecer, muito para viver.

O mundo deseja-te. Retira o bom da má experiência.

Aprende.

Fortalece-te.

Tenho um amor tão forte por ti que é capaz de fazer frente a todos os teus fantasmas. Acreditas que te posso ajudar a levantar?

- Sim.

- Caraças, então levanta-te.

 

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Foto de: Yuri Catalano

Só te quis amar

Caio!

Parece não existir fim.

Tudo parece perfeitamente imperfeito.

Não acredito, não quero acreditar mais.

Não tenho porque lutar, não tenho nada mais para vencer.

Acreditei.

Fizeste-me desacreditar.

Desisti.

Caio. Caio e parece não ter fim.

Ajuda-me.

Mas sinto que não preciso de ti.

Grito.

Não me ouves, não te quero ouvir.

Porquê?

Não tinha que ser eu. 

Não fui importante para ti, tento que não sejas para mim.

Tento.

Só te quis amar.

Nada valeu.

Grito novamente.

Caio.

Mergulho.

Estou desesperado.

Onde é o fim?

Acho que já lá cheguei.

A culpa foi minha, o fim foste tu.

 

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Foto de: Vic Tor

 

Enquanto dormes, escrevo

Vejo o sol a nascer, a luminosidade entra dentro deste quarto. Dormes profundamente.

Não dás conta que te admiro.

Continuo sem entender o que se passou para ser o sortudo por acordar ao teu lado. Não deveria ter acontecido, a minha expectativa era diferente. Não estava nos meus planos.

És a realidade.

Supostamente não iria existir mais amor para me darem. O mundo já há muito tinha conspirado contra mim.

Eis que do nada surges tu. Arregaças as mangas e fazes frente ao universo. Serei eu merecedor dessa guerra que decidiste travar?

Dizes que sim com o olhar a brilhar. Nunca sei como reagir, sempre me senti menos.

Fazes-me acreditar o contrário e aos poucos consegues orientar esta alma que estava sem rumo.

Deste-me um fio condutor. Tem uma única palavra escrita naquele final.

«Amor»

Sigo-o.

A cada momento que me sinto capaz vou acrescentando palavras.

Escrevi a medo "esperança" no início. Do nada escrevi o carinho, é a palavra que nos mantém. As palavras honestidade e transparência foram escritas em letra maiúscula de forma a ficarem bem visíveis, mesmo que ao longe.

Pegaste na minha mão e ajudaste-me a escrever "confiança".

A confiança em ti, em mim, no hoje, num amanhã. A confiança de que tudo pode ser diferente se tivermos predispostos a isso.

Ao ver-te dormir iluminada por um pequeno raio de sol escrevo novamente nesse fio que me cedeste. «Obrigado»

Uma palavra tão vulgar mas com um significado tão profundo quanto sentido.

Obrigado por me fazeres acreditar no amor.

Escolhi-te.

Obrigado por me escolheres.

 

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Foto de: Burst

Não me arrastes mais

Pára não me arrastes mais, não consigo.

Quero voltar a acreditar. Quero ser tocado, quero sentir.

Não, eu não aceito que me arrastes mais. Estou confuso, quero sossego quero a minha paz.

Perdoa-me por não conseguir suster este amor mas não consigo mais acreditar. Estou completamente perdido. Tal como tu.

Onde ficaste tu perdida na nossa vida?

Peço-te só que não me arrastes mais, que não me alimentes a esperança. Não quero mais viver este falso amor. Sinto que te adio. Não estou preparado para ficar sozinho. Não queria, não imaginei isto para mim.

As palavras saídas da tua boca deixaram de fazer sentido para mim. Tento de uma forma intensa acreditar mas simplesmente desacreditei.

É tudo incoerente.

Ainda te amo mas estou a deixar de o sentir. Nada vale mais a pena.

Imploro-te! Não me arrastes, não me sinto mais capaz. Deixa-me viver, deixa-me respirar.

Larga essa mão apertada que me domina.

Não sou mais teu.

SÓ TE AVISO MAIS UMA VEZ!

Largas-me tu ou largo-te eu?

 

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Foto de: Lukas

Um novo percurso

Desacreditou.

Sentiu que não era mais capaz. Via tudo a desaparecer muito devagarinho.

Estava desolada.

Os olhos percorriam as linhas de um livro interrompendo com olhares vazios na paisagem. Estava ao seu lado, parecia não me sentir. Baloiçava juntamente com o movimento das folhas.

Engoliu toda a emoção para não a transparecer. Não conseguia ser mais.

Observava-a. Como estava triste.

Tantos objetivos por cumprir e parecia estar a abdicar de todo o esforço até à altura. Continuei ao seu lado sem nada dizer. Merecia o seu momento de reflexão. Merecia o seu momento de tristeza.

Ponderava traçar um novo percurso e eu esperava que fosse aquele o momento.

Respirava fundo.

- Maldito trabalho!

Era uma das coisas em que mais acreditava, o seu progresso profissional. Não lhe fazia falta mas era uma das suas ambições pessoais.

- Queres recomeçar?

Olhou-me fixamente como se fosse a aprovação que necessitasse.

- Sim, vou recomeçar.

Era lutadora, inteligente, determinada e tinha uma coisa que só algumas pessoas têm. Um coração carregado de amor.

Era um admirador anónimo daquela personalidade. Era o admirador anónimo que estava ao lado dela sem ela se aperceber.

Eu acreditava nela. Transparecia isso.

Ela acreditou em mim.

Ao lado um do outro fomos capazes.

Ela é resiliente.

Ela é adorável.

Ela é a minha companheira.

 

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Foto de: Pixabay

Espero que aceites


Era quase noite quando conseguimos chegar aquele areal dourado. Há muito que não conseguíamos fazer um programa romântico. Horários incompatíveis, a meteorologia conspirava contra nós.
Sentia-mos que precisávamos daquele momento para celebrar a data de aniversário do nosso namoro.
O dia era especial, o destino escolhido deu o toque que faltava. Estendemos a manta na areia, abrimos uma garrafa de vinho e brindamos.
Ficámos em silêncio a admirar tudo o que nos rodeava. Abraçava-te e tu descontraída deixava cair a tua cabeça no meu braço.
Degustavas mais um pouco de vinho e beijavas-me a face como jeito de agradecimento por aquele momento ao meu lado. Estava em êxtase.
Fui ao bolso e tirei uma fita preta. Um pedaço de tecido que tinha lá numa gaveta em casa. Pedi para te vendar os olhos, ficaste reticente mas ao fim de um minuto confiaste em mim.
- Porquê que me estás a fazer isto?
Começara a ficar impaciente.
- Respira o mar, sente o vento, ouve o barulho das ondas.
Os meus dedos passeavam naquela palma da mão pequena. Como era delicada.
- Sentes-te bem?
- Sim, sinto.
Abraçava-a cada vez mais forte. Adorava tê-la comigo.
- Dizem que os nossos sentidos ficam mais desenvolvidos quando não vemos nada. Somos capazes de sentir coisas que de olhos abertos não teriam tanta importância.
Faz-se silêncio e fica o mar como música de fundo. Ficamos frente a frente e perto da tua orelha segredei.
- Agora que tens os teus sentidos no auge quero que sintas mais do que nunca isto: Amo-te muito. Queres casar comigo?

 

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Foto de: Josh Willink