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Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Não pares de dançar

A subtileza com que me agarras, o encanto com que o teu corpo se une ao meu, respira-se as feromonas. Deixas-me doido, quero sair daqui contigo mas não quero que me largues.
Os teus lábios estão a pedir um beijo, fecho os olhos e imagino-o.
Estamos longe deste chão que calcamos, sente o meu coração a bater mais forte, estou com um misto de emoções, a música, as sensações que me estás a provocar, não quero parar.
Sou um dependente!
És tu, estou viciado em ti.
O respirar no meu pescoço, o toque da tua mão na minha, a tuas curvas delicadas. Fechas os olhos e desenho no teu corpo com os meus dedos, encosta a tua cabeça na minha e vamos unir a nossa alma, os nossos corpos já não se conseguem separar.

Vamos flutuar e ninguém nos vai conseguir acompanhar.

Não pares de dançar, peço-te só que não pares.
Estamos perto do céu!

Dança.

 

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Foto de: Tookapic

O meu arco-íris

A chuva não para de cair no telhado. É um som agradável e relaxante.

Desperta a nostalgia e a saudade.

Sempre foi tudo tão delineado, desde sempre dissemos que não poderia existir sentimento.

Estávamos em posições semelhantes. Medo do apego com traumas dos passados.

Mostramos o melhor que havia em nós escondendo as incertezas. Tentámos ser frios mas cedíamos a dar um pouco de amor. Por mais estranho que fosse.

As carências eram evidentes, sentíamos que recuperávamos algo perdido. A atenção.

Não nos erámos indiferentes.

Não deveria de ser assim, não deveria de acontecer, aconteceu.

Deixámo-nos pela fantasia de uma pseudo paixão. Não sabíamos se era real. Deixámos fluir.

Talvez essa fantasia tivesse passado para uma realidade da qual não nos demos conta. O medo de ter que voltar ao início onde a tristeza começara era mais forte.

Quando a nossa vida se cruzou estava tal como o tempo hoje. Escuro e triste.

Foste o raio de sol que entrou dentro de mim. Provocaste um arco-íris e juntos acabámos por pintá-lo.

Esta nostalgia e a saudade da tua ausência fizeram-me acreditar que existem tesouros no final do arco-íris.

O tesouro eras tu.

Não quis enriquecer.

Pudéssemos ter tido mais coragem.

 

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Foto de: Bob Clark

O espelho

O espelho reflectiu uma imagem de alguém cansado.
Não há expressão, não há essência, não há mais nada para além de uma imagem estranha.
Observo as olheiras, são os sinais de um sono que tarda sempre a chegar por entre pensamentos absurdos.
Toco nas rugas, tento descobrir a que pertencem na sua maioria.
Será de felicidade ou de tristeza?
São ridículas as rugas de expressão tal como as expressões que estou a fazer para as descobrir.
Assemelha-se a um livro, a cada toque leio uma história.
Sinto que descompensei.
Perdi toda a noção da realidade e vivo com uma falsa esperança de que tudo vai mudar. Nada faço por isso.
Deixou de ser o medo a impedir-me de seguir, não é por não acreditar. Eu acredito.
Comodismo.
É a palavra que não consegue sair do meu pensamento.
Desde há muito que me acostumei a viver com pouco ar, deixei de sentir os perfumes em meu redor. O vento na minha cara passou a ser meramente um toque e as gotas da chuva a desfazerem-se na minha pele deixaram de fazer sentido.
Nada é música para mim.
Ou será que sou eu que já não sei dançar?
Sobrevivo.
Tento encontrar a resposta na imagem refletida.
Tenho tudo e não faço nada.
Pego no telefone e faço uma chamada.
A voz é tremula.
-Ajudas-me a renascer? Não o consigo fazer sozinho.
Há uns segundos de silêncio que me transportam em incertezas.
-Nunca te irei conseguir fazer renascer, não tenho esse poder. Nunca estiveste sozinho, sempre estivemos a teu lado. Respeitamos o teu espaço de luto.
Junta a tua mão com a minha e vamos viver.
Foi incontrolável não deixar sair o sentimento pelos olhos.
- Não te vou falhar, tenho um espelho que me obriga a lutar.
Aquele espelho, sou eu.

 

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Foto de: Pexels.com 

Sinto o teu amor

- Senta-te, preciso de te fazer uma pergunta.
Sentiu-se a tensão.
- O que se passa?
Era evidente a preocupação.
- Senta-te e relaxa por favor.
- Fala comigo. O que tens?
Respirou fundo.
- Consegues sentir o meu amor por ti?
Os olhos arregalaram-se, engoliu em seco e sem tempo para fabricar uma resposta falou.
- Sorrio sozinha quando não estás, só a pensar em ti. Conto todos os minutos só para te poder abraçar, sentir o teu cheiro e ter-te ao pé de mim.
Conversamos sobre o nosso dia enquanto cozinho. De um jeito delicado tocas-me no cabelo e beijas-me. Sinto que a saudade era partilhada contigo.
Jantamos como se fosse o nosso primeiro encontro. Do outro lado da mesa vejo o teu olhar brilhar.
Subitamente saí uma música do baú e dançamos. De olhos fechados os nosso corpos tornam-se só em um.
No meio da neblina de um banho quente confidenciamos os nossos sonhos e os nossos medos.
Respeitamo-nos.
Aconselhamo-nos.
Não somos só um casal que partilha uma casa, uma vida. Somos os melhores amigos.
Deitada no teu braço antes de dormir eu agradeço.
Agradeço por te ter na minha vida.
Se eu consigo sentir o teu amor?
Não.
Eu sinto mais do que isso.
És parte de mim e dei-te uma parte do meu coração.
- Ia só pedir para ir ver o jogo ao estádio com os meus amigos, mas gostei.

Abraça-me.

 

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Choque térmico sentimental

Nesta noite fria a única coisa que me consegue aquecer é o lume da lareira.
A frieza impera.
Ouço-te a chorar no quarto.
De olhos arregalados coloco mais um bocado de madeira a arder.
Não consigo ir ter contigo, sinto que te falhei, que me falhaste, que falhámos.
Perguntaste-me há uns minutos se era isto mesmo que queria, o fim.
Afirmei de uma forma convicta que sim.
Tenho as minhas incertezas.
Só queria que tudo fosse diferente.
Queria-te ao pé de mim, não queria mais sentir a rejeição.
Lutei por ti, abdiquei de tudo e encontro-me em frente a uma parede vazia onde ainda ontem restavam as nossas fotos emolduradas.
Talvez tivesse escolhido o caminho errado para esta rua com fim. Não supus.
Tinha um trajecto a percorrer contigo, não sei onde te larguei a mão ou se terás sido tu a largar a minha.
Ficámos os dois perdidos.
Ouço-te a chorar no quarto sem nada conseguir fazer.
Estou petrificado.
Tal como tu não contava estas palavras saídas da minha boca.
Queria-te abraçar mas impeço-me de te dar uma esperança. Não é orgulho, só deixei de saber o que quero.
Mas quero-te.
Castigo-me com as minhas tristezas acompanhadas por mais um copo de vinho.
Tudo o que te queria dizer não consegue sair da minha boca.
Sinto-me cansado, fraco.
Não o consegues entender. Pensei que fosse mais forte, talvez não o seja.
Tortura-me ouvir-te chorar, tu que és tanto para mim. No entanto não consigo suportar mais.

É controverso.
Olho a lareira, revivo o passado. Sou levado pela fantasia de que amanhã voltaremos a ser os mesmos.
Porque é que não te consigo falar?
Onde é que me falhaste?
Em tudo e em nada.
Há uma incoerência no meu cérebro, não lhe consigo colocar fim.
Mas sei o o que te poderia dizer. Mas não o digo.
"Amo-te".
Raios, disse-o.

 

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 Foto de: Lum3n 

Doido de amor

Pensas que sou doido por continuar a pensar em ti.
Sou doido por pensar em ti todas as noites antes de dormir, questionar se estás a sofrer tanto quanto eu.
Pensas que sou doido por continuar a fantasiar com um passado que não é mais que recordações. Seria um doido perfeito.
Pensas que sou doido por guardar o teu lugar na minha cama, no meu coração, na minha vida. Fico-o cada vez que ouço o meu telefone a tocar na esperança que sejas tu.
Talvez seja mesmo doido ao acreditar que este presente não passa de um pesadelo e que vais surgir e me abraçar a qualquer instante. Não quero ver nada, é o que faz ser doido. Na minha fantasia, na minha doidice tudo parece perfeito. Talvez não o seja.
Pensas que sou doido por não conseguir superar a tua ausência.
Sim, tens razão.
Sou doido.
Um doido que carrega a angustia de te querer e não te poder ter. Não por minha culpa, é a minha doidice.
Sou um doido que sente uma saudade tão constante que me coloca na cama a observar aquele teto branco durante horas.
Fico um doido inutilizado a pensar em ti.
É um doidice que não me faz sorrir, que me deixa sem forças para viver, uma doidice que não me deixa ser eu. Pensas que sou doido por querer sentir novamente a tua mão no meu corpo. Sim, definitivamente tens razão. Ou não.
Estou tão doido que já não sei definir a doidice.
Pensas que sou doido porque não consigo dormir, alimentar-me ou socializar. Não devia estar assim por uma mulher. Dizem os meus amigos que são doidos.
Amei-te, iniciei assim a minha doidice.
Ainda pensas que sou doido?
Penso que sim embora ache que não.
A minha doidice é amor.
 

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Foto de: Sameel Hassen 

 
 

O meu horizonte

Inconscientemente parei o carro onde tudo terminou. 

Acendo um cigarro. 

Novamente e, de uma forma inconsciente, faço novamente uma viagem pelo tempo. Emociono-me. 

Foram largos os dias desde a tua partida, desde que fechaste aquela porta. Naquele dia desligaste-te de mim e eu desliguei-me do mundo. 

O silêncio tomou conta de mim, sofria. 

Tive direito à minha dor, à minha revolta, à raiva de nada poder ter feito por nós. Não conseguia. 

Onde tudo terminou contemplo o horizonte, o meu olhar contempla esta linha ténue que divide o céu da terra. Tal como a minha linha que separa a minha realidade dos meus sonhos. 

Foi foi neste local que deixamos de ser um "nós" para passar a ser um "eu". Foi aqui que fiquei sem chão e caí num abismo. A luz desapareceu, respirar tornou-se difícil. Inconscientemente escolho este local para celebrar. 

Celebro o sorriso que tenho estampado no meu rosto que me tentaste roubar. O sorriso de esperança e de muita luta. Acreditei e como acreditei consegui. Continuo a sentir as mãos invisíveis nas minhas costas, não me deixam recuar. Ouço palavras de esperança. 

Tal tal como te carrego a ti, carrego essas mãos e essas palavras no meu peito. 

Neste local, um dia, pensei que fosse o meu fim. Não. Foi o início. 

Cada vez que contemplares o horizonte vais-me conseguir observar. 

Ao longe estou a pintar os meus sonhos no céu dançando ao sabor do vento. 

Sem ti, ao pé de mim.

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Foto de: pixabay 

Uma chance para amar

Ensinaste-me que o amor tem que ser vivido sem medo. Que nos temos de entregar e viver cada momento como se fosse o ultimo, na sua plenitude.

Pediste-me para respirar fundo a cada vez que sentia o meu coração a palpitar. Sorrias.

“Faz parte.” Dizias tu.

O teu toque fazia-me arrepiar enquanto, deitado no teu peito, ouvindo a minha melodia favorita, o bater do teu coração. Sentia-me bem e chamaste-lhe segurança.

Uma sensação estranha, nunca antes a tinha vivido.

No teu olhar conseguia ver a tua alma, conseguia ver o amor incondicional que tinhas por mim.

Querias mais de mim, querias mais para ti e, eu por mim, para ti dei-te mais.

Os dias ficaram longos quando não te tinha comigo, curtos quando estava contigo. Senti os tempos trocados, não deveriam ser assim. Restava aceitar.

Ensinaste-me a expressar todas as emoções, contiveste-me a cada mal entendido.  Eras mais do que um abraço físico, abraçavas-me com a alma. Intenso, puro.

Nas tuas mãos, dançava.

Com o teu sorriso, levitava.

As estrelas foram as únicas testemunhas dos nossos segredos, ao luar fomos confidentes. Conversamos em silêncios, esboçamos sorrisos espontâneos só com olhares, senti a telepatia. Era a cumplicidade.

A cada dia, só te queria cada vez mais perto de mim. Tu também.

Diminuímos distâncias.

Deixaste-me a voar e de um modo sereno assistias. Devolvias-me à terra por vezes para colocar os pés no chão. E com uma necessidade incontrolável a palavra saiu da minha boca.

«Amo-te»

Cada que letra que pronunciei eram emoções sentidas.

Naquele segundo em senti o que era o amor.

Nunca pensei que me fosse levar a muitos minutos de inocência.
Passei horas flutuar.

Deste-me uma chance.

Uma chance para amar.

 

Contigo ao meu lado aprendi, e amei.

 

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Foto de: Pixabay 

E é no topo desta montanha que grito

Por onde quer que olhasse só via sombra, o cenário era pintado em tons escuros, tudo muito frio e sem expressão.

Olhei para cima vezes sem conta, já decorara o trajeto a percorrer. Era difícil, mas não impossível.

«O que existiria naquele cume?»

 A falta de coragem não me deixava avançar, lutava por nem sequer conseguir tentar. As forças desapareceram e deixei-me levar pelo comodismo. Tinha pena de mim.

Senti que era merecedor de tudo aquilo o que se estava a passar. A saudade da luz começou a ficar evidente. A imaginação e a curiosidade tomaram conta da minha mente.

Os raios de luz apareciam subitamente querendo iluminar os meus primeiros passos, querendo dizer que existia mais para além daquela montanha. Não consegui mais viver naquela sombra. Tinha que arriscar.

Conversei comigo, nada mais havia a perder, já não restava nada. Não podia perder a ultima coisa que me restava. Eu.

 Naquele final de tarde de um dia soalheiro largo toda a bagagem e parti. Parti rumo ao desconhecido. Desde o início que soube que não ia ser fácil e não foi.

Escalei aquela montanha com todas as forças que tinha e quando pensei em desistir olhava lá para baixo. Lá estava a sombra onde não queria estar. Ofegante prossegui.

Passos lentos e calculados, não podia cair, não corri riscos.

Estava determinado.

Houve momentos em que parei, momentos em que tive que voltar para trás ligeiramente para contornar obstáculos, nada me demovia.

 Não conhecia esta nova realidade, não conhecia este novo "eu". Olhava para cima e conseguia ver a luz. Cada vez vai evidente.

No meu limite das forças cheguei ao topo daquela montanha. Fechei os olhos e respirei liberdade.

E é no topo desta montanha que em tempos me impedia de ver o horizonte que grito pelo teu nome.

Ouve-me.

 

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Foto de: Pixabay

 

Foste sempre tu

Foste sempre tu que idealizei na minha vida.

Foste sempre tu a ansiedade que percorria o meu corpo, que me deixou com estranhas emoções.

Foste sempre tu que fizeste o meu coração bater mais rápido e de uma forma quase incontrolável só com um toque. Foste sempre tu quem sonhei todas as noites e quando não conseguia dormir via-te sonhar.

Foste sempre tu a minha esperança de um futuro repleto de amor.

Foste sempre tu a razão da minha existência, questionei-a vezes sem conta.

Foste sempre tu que me empurrou para o centro das mais variadas sensações de uma paixão.

Foste sempre tu por quem lutei e que quis lutar comigo.

Foste sempre tu o complemento ao ar que respiro, que me faz ser e sentir vivo.

Foste sempre tu que me deste a mão desde aquele primeiro olhar e nunca mais a quis largar.

Foste sempre tu que desde esse dia sonhou e acreditou comigo, éramos um só.

Foste sempre tu que me fizeste feliz.

E continuas a fazer.

Foste sempre tu, tinhas que ser tu.

 

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Foto de: PALOMA Aviles