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Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Ser-me em ti

Quero sentir o teu corpo no meu, sentir a suavidade da tua pele, o teu cheiro único e indescritível que me confunde todos os sentidos e que me eleva para um universo paralelo.

Quero-te abraçar, encostar o teu coração no meu.

Quero sentir que me desejas tanto quanto eu te desejo, quero sair contigo sem destino, quero que sejas metade da minha alma.

Não quero que sejas mais umas linhas no meu ecrã, um sorriso à distância.

Quero-te comigo, acordar o tom doce tua voz. Imagino vezes sem conta adormecer no teu abraço, ouvir o teu coração a bater, sentir o teu respirar, suspirar e sentir que finalmente estás comigo.

Ficarei contigo em todos os teus silêncios tentado ler todos os teus pensamentos, tentarei tocar nos teus sentidos com toques invisíveis mas únicos.

Quero que sejas minha, viver cada dia como se fosse o ultimo desfrutando da serenidade que me passas.

Quero partilhar contigo todo o meu amor.

Perdoa-me por estas palavras, não as consigo evitar.

Não fosses tu tão especial e eu tão enamorado.

 

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Foto de: Sara Soares

 

 

Acreditar, por mim

(Em parceria com: Sofia Martins)
 
 
Chego ao final do meu dia de trabalho, começo a aproximar-me de casa. Um nervoso miudinho começa a tomar conta de mim.
Tento contrariar.
Meto a chave na porta já com a mão a tremer. Não há ninguém para me receber, os estores continuam em baixo, a roupa espalhada, tudo tal como deixei. A loiça amontoa-se, a roupa também.
Sou organizado mas a solidão vence sempre.
Ligo a música, bebo o meu copo de vinho e voltam novamente as perguntas.
Porque é que partiste? Porque é que nem sequer me respondes?
Dou por mim a falar com um espelho para me motivar, a fazer expressões parvas, só para ocupar tempo. Tento arranjar inúmeras coisas para me distrair mas duram minutos.
Como estarás? Será que estás a sofrer, tanto quanto eu?
Tento dormir.
A cama está fria, é enorme só para mim. Fico encostado só num cantinho porque todo o resto era teu, continua a ser.
Fecho os olhos e as memórias surgem, a saudade sufoca. As horas passam, aquele maldito relógio com letras verdes vai-me avisando que vou dormir novamente poucas horas. Mas não consigo desligar.
A solidão é enorme, a noite arruína-me.
A loiça continua por lavar, a roupa por arrumar mas amanhã trato de tudo. Amanhã vou superar tudo isto, amanhã. Ajuda-me a escapar desta solidão, ajuda-me a acreditar novamente no amor!
 
 
Pedes-me que te ajude a acreditar no amor e tenho medo de não conseguir provar que ainda é possível.
É como se quisesses voar, mas te faltassem as asas. Estás a ver aquela caixa de música? Em que pensas quando a ouves tocar? Sabes que ela fala para ti? Sabes que ela te ensina que as emoções são como as notas de música? Estão em ti todas as respostas que procuras!
Sim, percebo que temas os fantasmas que te perseguem no silêncio da noite.
Que sintas o frio a consumir-te o âmago quando te falta um abraço. Que a saudade se pinte em todas as páginas das histórias que lês.
Mas… Escuta a música que toca dentro de ti.
Vês como está em sintonia com a melodia da caixinha? A tranquilidade atravessa a tua pele e traz para ti o que procuras.
Sabes que o amor começa em ti, na essência que descobres sempre que te olhas ao espelho, e que vai para além da imagem do teu corpo? São as lágrimas que escondes e que te limpam a alma. Sim, eu sei que ainda há amor em ti! Mais do que consegues ver. Mais do que os limites que a racionalidade te obriga a respeitar.
Agora vai para casa e sorri!
Mesmo que chova lá fora. Deixa que a chuva te encharque até que sintas o frio. Depois procura o conforto do teu lar. Nas paredes tens o mundo nas tuas mãos. O sorriso vai inundar os quadros que tens a decorar o teu céu. Conseguirás escrever com as estrelas um poema onde és um sonhador.
Eu sei que és!!
Não tenhas medo!
E quando voltares a desconfiar do amor, ouve a música que sai daquela caixinha de sonhos.
Sim, tu podes ter a lua para te iluminar a vida… basta que deixes que ela te alcance!
 
 
 
 
 

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Foto de: Sara Soares

 
 
 

A ti...

Nunca acreditei no amor à primeira vista até o meu olhar se cruzar com o teu numa noite fria de Inverno. Não pronunciamos uma uma única palavra. Não era supostos estarmos naquele local com aquelas pessoas mas o destino não facilitou.

Não consegui dormir a pensar no teu olhar desde o primeiro dia, quem serias?

Longe de mim pensar que irias ficar na minha vida permanentemente.

Voltamos-nos a cruzar, as palavras saíram, a cumplicidade começou nesse instante que até hoje permanece. Era estranho ficar longe de ti, negava o amor com todas as forças, não me me queria apaixonar mas tu tinhas uma química especial, era como um íman.

Noites sem dormir só para poder conversar contigo, conversas até ao sol nascer novamente e até que o impensável aconteceu.

O beijo.

O pior de sempre.

Um beijo a medo não fosse estar a condenar uma amizade que tanto estimávamos. Eras única para mim.

Os dias foram passando, os beijos aumentando. Era tudo tão perfeito.

Os dias passaram a anos e com amor, com muito amor casamos. Éramos cúmplices, éramos amigos, éramos só um.

Mas tudo tem um fim e o nosso amor também.

Não conseguimos compensar distâncias, as conversas foram-se perdendo no chuveiro, esquecemos-nos dando mais importância às situações da vida.

Fomos pais.

Hoje divorciados, mantém-se tudo o que nos uniu. O amor foi substituído por o carinho e por a gratidão. Contornamos a nossa falha e substituímos pelo amor para a nossa filha, ela tem o melhor de nós, é feliz e nós também somos por a ver assim. Nunca ninguém irá entender o que nos une, o nosso carinho, as nossas conversas, o nosso passado. Fomos felizes juntos e é isso que nos mantém.

Recordo-me de todas a viagens contigo no meu ombro, todas as nossas danças com um sorriso apaixonado nos lábios, a ansiedade que tomava conta de de mim por te ver partir numa segunda feira de manhã, desejando que chegasse rapidamente a sexta só para te voltar a ter nos meus braços.

A ti Patrícia sim, digo o teu nome no meu texto.

Obrigado por seres quem és, por nunca saíres do meu lado, mesmo sabendo que este coração esteja a ser partilhado. A ti Patrícia, agradeço-te por tomares conta de metade de mim, por ficares acordada noites a fio para cuidar da nossa menina enquanto eu ando na boémia, por a educação exemplar que lhe dás enquanto passeio numa praia com amigos, por abdicares de ti.

Obrigado por me ensinares o que era o amor.

Numa sociedade de rancores e ódios é difícil aceitar um casal divorciado com uma boa relação.

A ti.

Obrigado por fazeres de mim um homem feliz no meio de tanta tristeza, por me ensinares a ser pai.

Nunca ninguém nos irá entender, mas nós entendemos-nos.

A ti.

Um abraço caloroso como se fosse o nosso primeiro.

Admiro-te enquanto mulher, enquanto mãe, enquanto mãe da minha filha e nunca irei ter vergonha de o dizer.

Patrícia, mãe de metade de mim. obrigado.

 

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Sonhos de uma saudade

Passou mais um dia, mais um dia sem te ver.

A saudade apertou.

Os senhores da rádio querem-me castigar ainda mais, passam as nossas músicas a todo o tempo. Em cada rua que percorro recordo-me de uma história nossa, é difícil controlar a mente.

É penoso mas parece não ser o suficiente para mim.

Castigo-me a ver o pôr do sol onde nos beijamos pela primeira vez, a paisagem ainda é encantadora, o cheirinho a mar e flores não mudou.

É demasiado perfeito.

Desapareceram os sorrisos de felicidade, foram substituídos por a lágrima que teima em cair. As memórias surgem, tenho uma amostra de felicidade novamente, fazem-me sorrir.

Suspiro e olho para o céu.

Aparecem muitas figuras num quadro azul, uma está destacada. Com o meu dedo vou contornando a nuvem em forma de coração na esperança de um dia se poder voltar a ligar ao meu novamente.

Sorri.

Ouço a melodia das ondas a rebentar nos rochedos, as gaivotas a grasnar e na minha paz apago o meu cigarro que em outrora era partilhado contigo e fecho os olhos.

Vou sonhar até onde tudo recomeçou.

 

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Foto de: Sara Soares

Ensinas-me a amar?

Entraste abruptamente na minha vida, nem sequer limpaste os pés. Deixei que me percorresses, sabendo que já me estavas a marcar com as tuas pegadas.

Eras tão perfeita que me fez esquecer tudo.

Era incontrolável a saudade que sentia com a tua ausência. Comecei a apaixonar-me por aquilo que eras, que me fazias sentir.

Cada vez mais próximos, mais íntimos, tudo tão irreal na minha mente. Será que me conseguias amar?

Nunca fui muito dado ao amor desde criança, mesmo assim acredito.

Num momento desajeitado os nosso lábios tocaram-se, a tua pele era tão macia, tão delicada. Tinha o coração na garganta, ficou difícil de respirar, a minha boca secou, o meu corpo tremia em choque. Nunca antes ninguém me beijara, não te consegui dizer.

Nunca te consegui pedir ajuda, acreditei que sozinho iria conseguir, pensei que era fácil. Não, não o foi!

Pudesse eu ter mais abertura, mais autoestima, são reflexos do meu passado marcado. Luto com eles e tento que não me dominem, é uma luta diária e sei que um dia irei vencer.

Só preciso alguém que seja paciente comigo, que me ensine a amar e a lidar com o amor.

Como recompensa terá o meu coração, a minha dedicação, será parte de mim.

Só preciso de uma mão apertada na minha para ultrapassar estes obstáculos e juntos vencermos. Um dia olharemos para trás e sorriremos. 

No meu modo inocente escrevo num papel e dobro-o em oito partes.

"Ensinas-me a amar?"

 

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Foto de: Sara Soares

Coração prisioneiro

Faz tempo em que espero por ti, a ansiedade de te ter só para mim transcende o meu corpo e a minha alma.

Ver-te com alguém que deveria ser o meu lugar deixa-me com um gosto amargo.

Dás-me a entender que é a mim que me amas, é a mim que desejas, alimentas-me a esperança e eu acredito. Pergunto-me o que queres de mim, porque é que não me deixas seguir?

Passo noites em claro, o ciúme toma conta de mim, a ansiedade de te ter começa a ser difícil de controlar. Pergunto-me vezes sem conta qual é o meu defeito, o que é que a tua companhia faz sentir que eu não faço, o que é que ela tem que eu não tenho.

Todos os dias me olho ao espelho, olho vezes sem conta, só consigo ver um olhar com lágrimas, sinto que não sou suficiente.

Tenho amor!Um amor tão forte que acabo por me esquecer de mim.

Será que alguma vez pensaste em mim enquanto estás com a tua companhia?

Já passou muito tempo desde as promessas que me fizeste, são muitas horas de uma espera que pareçe não ter fim.

Olha para mim, vê a minha posição, estou sem chão, tenta te colocar na minha posição pelo menos uma vez.

Tenho uma ansiedade enorme de te ter para mim mas tenho uma maior: Voltar a ter-me. Já mereço ser feliz.

Entre um amo-te e um odeio-te, peço-te quero que sejas feliz onde escolheres.

Não me deixes mais à deriva, não tenho do culpa amor que sinto, não mereço isto.

Sentir o coração na boca, acordar todos os dias na esperança que vai ser o dia em que finalmente me vais procurar, os arrepios ao te ver, as emoções que tenho quando me tocas.

Chamam-lhe falta de amor próprio mas eu chamo-lhe esperança.

Quero-te muito, mas quero-me muito mais a mim.

Perdoa-me por te amar.

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Foto de: Sara S.